Alta velocidade e disparos. A "violência extraordinária" de entregar ajuda na Ucrânia
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Alta velocidade e disparos. A "violência extraordinária" de entregar ajuda na Ucrânia

Uma estrada "completamente esburacada", um objetivo definido e a esperança de conseguir entregar ajuda humanitária. Foi esta a experiência que viveu, esta tarde, o repórter fotográfico André Luís Alves, ao serviço da Global Imagens e da TSF na Ucrânia.

O carro de um grupo de voluntários que ia entregar ajuda humanitária à cidade de Makariv, e em que seguia o deputado mais novo da Ucrânia, Sviatoslav Yurash, que liderou a iniciativa, foi alvo de disparos e, embora não tenha havido vítimas, a viagem foi atribulada.

"A meio do caminho na autoestrada já não havia sinal de telemóvel", conta André Luís Alves. "Para comunicarmos entre carros, a certa altura, tivemos de voltar para trás, num dos desvios". Foi neste momento que surgiu um carro a alta velocidade, "com o vidro aberto, que nos mandou para trás com o braço".

"Acontece tudo muito depressa, o nosso condutor na maior parte do tempo ia a 100 km/h, 120, houve um momento em que fomos a 140 numa estrada completamente esburacada. Para quem lá vai entregar ajuda humanitária é de uma violência extraordinária. Como há o risco de ser atingido, tentam que não aconteça", explica.

Ao longo do caminho para Makariv, André Luís Alves viu zonas de grande destruição, um dos sinais da "paz armada" nas zonas em que as forças de Kiev dizem ter recuperado território.

"Cada vez que há uma transição num território em que os russos perdem uma posição, o que tem sido a tendência, há um pico de violência. É aquela réstia final de esperança de manter a posição", descreve o repórter.

Segundo a informação oficial ucraniana, a cidade de Makariv está "controlada", mas não é ainda possível que os habitantes regressem às suas casas. "Isto, na prática, é só um statement militar: a cidade está ocupada, mas por forças militares ucranianas. Enquanto lá estiverem a marcar a posição e a disparar a antiaérea, mantêm a posição. Mas a partir do momento em que saiam de lá, os russos voltam a tomar posição", explica.

Um pouco por todo o país "há muitas cidades que vão ficar assim durante algum tempo, porque os russos não vão sair tão depressa".

"Por exemplo, em Kharkiv, podem sair da cidade, mas vão manter-se nos subúrbios, o que muitas vezes é uma região de campo, com casas muito dispersas", o que facilita o avanço das forças russas: "É muito fácil tomarem uma aldeia de, por exemplo, 30 casas e ficarem ali porque têm comida, água potável e energia elétrica."

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