Alterações climáticas afetam nascimentos de tartarugas: "99% das crias são fêmeas"

O sexo das tartarugas é influenciado pela temperatura a que os ovos são incubados. Especialistas do Hospital das Tartarugas de Marathon, na Florida, alertam que as ondas de calor nas praias estão a tornar a areia demasiado quente e temem os efeitos na espécie.

O fenómeno das alterações climáticas está a ter impacto no nascimento das tartarugas. No estado norte-americano da Florida, as recentes ondas de calor estão a levar a que quase só nasçam fêmeas, de acordo com a CNN Internacional. O sexo das tartarugas é influenciado pela temperatura a que os ovos são incubados e a areia nas praias, onde as tartarugas deixam os ovos, tem estado muito quente.

Segundo a agência governamental norte-americana para os oceanos (National Ocean Service), se um ovo estiver sob temperaturas inferiores a 27,7 graus Celsius, é gerado um macho; caso seja incubado a mais de 31 graus Celsius, nasce uma fêmea. "Quando as temperaturas flutuam entre os dois extremos, produz-se uma mistura de filhotes de tartarugas machos e fêmeas", esclarece a agência.

O Hospital das Tartarugas em Marathon, na Florida, nota que a região tem tido, nos últimos quatro anos, dos verões mais quentes alguma vez registados e que, desde então, os cientistas só têm encontrado, nas praias, crias do sexo feminino.

Os especialistas estão preocupados com o rácio entre machos e fêmeas. Em declarações à agência Reuters, citadas pelo jornal The Guardian, Bette Zirkelbach, responsável do Hospital das Tartarugas em Marathon, afirma mesmo que a situação está a tornar-se "assustadora". "Já 99% das tartarugas bebés são fêmeas", alerta, referindo um estudo feito na Austrália.

Os cientistas temem que o crescente nascimento de tartarugas do sexo feminino interfira ainda mais com o equilíbrio entre machos e fêmeas, acabando por resultar na estagnação da espécie e, numa diminuição da população de tartarugas, em diante.

De acordo com os especialistas, este será mais um sinal dos efeitos da crise climática nos ecossistemas naturais, com as espécies a não conseguirem adaptar-se ao crescente ritmo da subida das temperaturas.

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