America Countdown... 85 dias. Condenados à anormalidade

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - UMA CONDENAÇÃO: APRENDER A VIVER NA ANORMALIDADE TRUMPIANA. Do presidente americano esperamos liderança, referência e proteção. Do atual inquilino da Casa Branca temos tido mentiras, agressividade gratuita e confusão generalizada. Como em tudo na política e nas relações internacionais, o comportamento irresponsável e impreparado do sucessor de Barack Obama terá consequências. Sem o exemplo americano, a Europa teve que saber fazer prevalecer os seus melhores valores. Com o tempo, a estranha proximidade de Trump com Putin nunca se tornou progressiva rivalidade. A China, que age nestas relações de força de modo discreto mas certeiro, apareceu mais (o tiro de partida foi logo no início do mandato Trump isso já se verificou nas palavras de Xi Jinping sobre a necessidade de se manter o Acordo de Paris). Ver um líder chinês a defender um acordo climático que assinara um ano antes com Obama, perante a decisão do atual presidente americano Donald Trump de o rasgar, diz muito sobre as contradições desta Nova Desordem Internacional. Há que saber viver com ela e é preciso, sobretudo, saber sair dela. A história, ao contrário do que nos tinha dito Fukuyama, nunca para. Só falta saber em quem deveremos acreditar mais: em Barack Obama, quando nos dizia que "o melhor está para vir", ou em Donald Trump, que no momento político mais bizarro de que tenho memória de ver, anunciou, em tom sinistro, na tomada de posse, que "ia acabar com a carnificina americana".

2 - A "CARNIFICINA AMERICANA" DE QUE TRUMP FALAVA NA POSSE, AFINAL, AINDA ESTAVA PARA VIR. Num discurso vergonhoso de repetidas mentiras e realidades alternativas, Donald Trump tomava posse a 20 de janeiro de 2017 prometendo uma revolução populista e aludindo a uma misteriosa "carnificina" americana ("American Carnage"), que jurava vir a terminar. Como? A que "carnificina" estaria ele a referir-se? Na era da pós-verdade, a chave está nisto mesmo: em questionar, em não deixar passar em claro, em verificar. Trump, na sua desfaçatez, aposta em sentenças mentirosas que negam, a seu favor, o que na realidade teria tudo para jogar contra ele. Em plena pandemia, com os EUA a serem de longe o país com mais casos e mais mortos, agora sim há uma "carnificina americana" em curso. Mas, ao contrário do que mentirosamente dissera a 20 de janeiro de 2017, quando tomou posse, Donald Trump não acabou com a carnificina: foi um dos principais responsáveis, por incompetência na gestão da ameaça, pela sua criação.

UMA INTERROGAÇÃO: Como lidará Joe Biden com o leque de eleitores republicanos que se recusarão a aceitar a legitimidade uma eventual vitória nas urnas do nomeado presidencial democrata sobre Donald Trump?

UM ESTADO: Utah

Resultado em 2016: Trump 45,5%-Hillary 27,5%

Resultado em 2012: Romney 72,8%-Obama 24,8%

Resultado em 2008: McCain 62,2%-Obama 34,4%

Resultado em 2004: Bush 72,7%-Kerry 26,3%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 12 vitórias republicanas)

- O Utah tem 3,2 milhões habitantes: 77,8% brancos, 1442% hispânicos, 1,5% negros, 2,7% asiáticos; 49,6% mulheres

6 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Utah - Trump 48/Biden 38

(Y2 Analytics, 9 a 15 maio)

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

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