America Countdown... 11 dias. Observadores internacionais e ouvir a ciência

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - SERÃO PRECISOS OBSERVADORES INTERNACIONAIS? Nas últimas décadas, habituámo-nos a ver a presença de observadores internacionais para avalizarem atos eleitorais em África, na Ásia. E habituámo-nos a ver os EUA como avalizadores da credibilidade de um ato eleitoral noutros pontos do globo, com a presença de ex-Presidentes americanos, como Jimmy Carter ou Bill Clinton, envolvidos em organizações internacionais. Ora, as condições geradas pela pandemia e as dúvidas levantadas em torno dos votos por correspondência e como os estados irão aceitá-los e contá-los devidamente fazem com que haja já quem considere que as eleições norte-americanas de 3 de novembro vão mesmo precisar de observadores internacionais. As palavras contam e, nos últimos meses, Donald Trump já produziu várias afirmações que podem minar o normal decorrer do ato eleitoral. Pela convicção que está a gerar em milhões de apoiantes que "vão ser roubados" caso Trump perca nas urnas. Pela disrupção que isso pode gerar no processo: "Acho que Trump está a preparar uma narrativa de eleições fraudulentas. E isso já aconteceu noutras jurisdições em que trabalhei", afirmou à CNN Dren Nupen, perito sul-africano em atos eleitorais. Ken Opalo, cientista político da Georgetown University, levanta o espetro da "violência armada pós eleições", depois de ter visto protestos violentos nos Estados Unidos, nos últimos meses.

2 - "OUVIR OS CIENTISTAS". O tipo de conversa utilizada por Donald Trump junto dos seus apoiantes, nos últimos dias, oscila entre a ironia de mau gosto e uma forma esquisita de tentar mudar o jogo. Foi o modo como tentou justificar um retweet de uma teoria da conspiração objetivamente mentirosa sobre um suposto envolvimento de Joe Biden na morte de um "navy seal" que tinha estado na equipa que matou Bin Laden ("não fui eu que escrevi, só retweetei, retweeto tanta coisa, sei lá..."). É a forma como insinua que vai embora dos EUA se "perder com o pior candidato da história", Joe Biden. Ou o que disse sobre o risco de "Biden ouvir os cientistas", como argumento para não se votar nele. A sério, Donald? Ouvir os cientistas é mau? A sério que o Presidente dos EUA assume essa oposição? A campanha Biden agradeceu e citou o próprio adversário. Será que já chegámos a um ponto em que criticar quem ouça os cientistas e não seguidores de teorias da conspiração acha que vai ganhar votos com isso? Quero crer que ainda não atingimos esse ponto.

UMA INTERROGAÇÃO: Será que a ciência vai voltar a ser devidamente valorizada pela esmagadora maioria do eleitorado americano depois desta eleição?

OS PRESIDENTES DOS EUA ENTRE 1825 E 1845

6 - John Quincy Adams (1825-1829) Vice-Presidente: John C. Calhoun

Partido: Democrático-Republicano / Nacional-Republicano

Diplomata, advogado e diarista. Foi embaixador dos EUA na Rússia (presidência Madison) e na Holanda (presidência Washington). Foi congressista nas duas câmaras, em representação do Massachussets.

7 - Andrew Jackson (1829-1837) Vice-Presidente: Martin Van Buren

Partido: Democrático

General, congressista, viria a lançar as bases da argumentação do "homem comum" sobre a "aristocracia corrupta", numa dualidade que hoje classificaríamos como "populista". Jackson, no seu tempo, associou-a à preservação da União.

8 - Martin Van Buren (1837-1841) Vice-Presidente: Richard Mentor Johnson

Partido: Democrata

Fundador do Partido Democrata, tinha sido governador de Nova Iorque, secretário de Estado e vice-Presidente dos EUA. Teve o apoio de Jackson e da estrutura do partido que fundou para chegar à presidência.

9 - William Henry Harrison (1841-1841) Vice-Presidente: John Tyler

Partido: Whig

Chefe militar, viria a ser eleito Presidente dos EUA, mas só exerceu o cargo por um mês. Viria a morrer com uma pneumonia e febre tifoide. A sua morte abriu uma crise constitucional, com a polémica em torno da sucessão: Tyler, seu vice-Presidente, deveria assumir o cargo no resto do mandato ou apenas exercer funções de forma transitória?

10 - John Tyler (1841-1845) Vice-Presidente: manteve-se vago neste mandato

Partido: Whig

Eleito para vice-Presidente poucos meses antes, subiria à Presidência com a morte de William Henry Harrison, em abril de 1841. Defensor dos direitos dos estados, advogou políticas nacionalistas, mas só quando estas não colidiam com os interesses estaduais.

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

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