America Countdown... 14 dias. Joe "Rust Belt" e a Geórgia a virar para azul

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - A FORTE LIGAÇÃO DE JOE AO ELEITORADO "RUST BELT". Em duas semanas, pode acontecer muita coisa, mas pelo menos nesta fase e até que ocorra mais um grande "Game Change", uma "October Surprise" que possa voltar a virar o jogo, os dados da corrida neste momento parecem definidos. Há poucos indecisos, menos de 10%, e Biden mantém vantagens sólidas nos estados que vão decidir. Até agora, a narrativa dominante era a de uma corrida imprevisível e renhida... neste momento, olho para um cenário de uma das corridas presidenciais mais desequilibradas das últimas décadas na América. A forte ligação de Joe Biden ao eleitorado "Rust Belt" (e que Hillary não tinha) ajuda-nos a perceber o essencial. Esse eleitorado deu o triunfo a Trump sobre Hillary, mas grande parte dele está a sofrer bastante com a pandemia e as perdas económicas por ela geradas. É um eleitorado que se revê nas origens e no estilo de Biden e que se sentirá algures entre o desiludido e o traído pelo modo como Trump tem gerido a pandemia e, sobretudo, como tem desrespeitado a memória dos 220 mil mortos americanos neste meio ano. Por outro lado, 2020 não é 2016. Há quatro anos, Trump vinha de fora, não tinha de prestar contas e conseguiu enganar muita gente na ideia de que era "um empresário de sucesso". Quatro anos depois, é o Presidente que geriu pessimamente a maior ameaça à segurança nacional americana desde o 11 de Setembro e que terminará o seu mandato com menos empregos dos que os que havia quando começou

2 - O "EARLY VOTE" DA GEÓRGIA SINALIZA MOBILIZAÇÃO DO ELEITORADO NEGRO. O "early vote" na Geórgia já aumentou 152% (!) em relação a 2016, com forte pendor de eleitores negros, que preferem os democratas de forma esmagadora. São já 1,5 milhões de eleitores que votaram naquele estado sulista, que, apesar de ser "sólido republicano" há várias décadas, está nesta corrida 2020 no mapa dos "battleground". Os negros são um terço dos eleitores da Geórgia, mas têm sido até agora muito menos do que 33% dos votantes. A chave está, por isso, na mobilização para as urnas. Trump sabe que tem a Geórgia em risco e fez lá um comício anteontem. Biden aparece à frente em três das últimas cinco sondagens na Geórgia, uma delas com diferença de 7 pontos.

Os dados do voto antecipado ajudam-nos a perceber porquê. À boleia da mobilização do voto negro, uma Geórgia a virar para os democratas pode ser a grande surpresa da noite eleitoral de 3 de novembro. Se Joe Biden arrecadar a Geórgia, esqueçam a reeleição de Donald Trump.

UMA INTERROGAÇÃO: Será que os democratas vão conseguir virar a Geórgia para tons de azul?

SONDAGEM

Geórgia: Biden 51-Trump 44 (The Hill/HarrisX, 12 a 15 out)

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

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