America Countdown... 17 dias. Um Presidente que acena aos Proud Boys

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - PROUD BOYS? A SÉRIO, DONALD?
Trump dá cada vez mais sinais que não aceitará derrota. O que disse no debate de Cleveland sobre os Proud Boys ("Stand back and stand by") é quase inimaginável, vindo de um Presidente em funções. O caso do plano abortado do rapto da governadora do Michigan, Gretchen Whitmer, felizmente desmontado pelo FBI, sinaliza um novo grau de ameaça a aparecer na sociedade americana. Donald Trump tinha feito um tweet a criticar a estratégia dura da governadora Whitmer em relação ao coronavírus: "Liberate Michigan!". Um grupo de extremistas levou à letra as palavras do seu Presidente. As palavras contam. O ambiente malsão que cresce em torno de uma possível desobediência civil do "povo Trump" no caso, provável neste momento, de derrota do seu candidato nas urnas, deve ser levado a sério. David Kilcullen, um dos maiores especialistas mundiais em contra-insurgência, antigo soldado de infantaria do exército australiano e conselheiro do exército americano, deixou aviso na "Slate": "A América está a começar a ficar num estado de insurgência incipiente".

2 - 2020 NÃO É 2016
Percebo que se tenda a lembrar que Hillary também estava à frente e depois perdeu. Não estou a dizer que isso não se vai repetir. Mas o cenário atual é muito diferente: 2020 não é 2016. Em 2016 Trump vinha de fora e prometia acabar com o "establishment". E tinha como rival a cara do "establishment": Hillary Clinton; em 2020, Trump é Presidente há quatro anos, geriu pessimamente a maior pandemia num século, agravou feridas de um país cada vez mais dividido, tem muito mais desemprego do que quando tomou posse e nunca teve mais de metade do país ao seu lado. Há quatro anos no poder, fica difícil manter discurso populista, embora esteja a tentar fazê-lo. A tendência em 2020 aponta para uma penalização Trump pela forma desastrosa como geriu a pandemia. As sondagens, que valem o que valem, mostram nesta fase um padrão muito sólido de vantagem Biden nos estados decisivos. O "FiveThirtyEight", de Nate Silver, que dava 67% de probabilidade de eleição Biden a 31 de agosto, dá agora 87%. O "early vote" tem batido recordes (20 milhões de americanos já votaram). Nos "mail-in-ballots" (votos por correio), perto de 52 milhões de americanos já os solicitaram. 23,5 milhões são democratas, 13,5 milhões republicanos. 14,6 milhões são eleitores não registados em qualquer um dos partidos. Mas atenção a este dado: os votos por correspondência já rejeitados por algum tipo de incorreção são mais do dobro de democratas que de republicanos: 4,9 milhões de democratas, apenas 2,08 republicanos. Quanto maior for a mobilização às urnas e a participação eleitoral, maiores são as hipóteses de eleição Biden e menores as esperanças de reeleição Trump. Mas a questão do escrutínio correto da contagem dos votos é fundamental.

UMA INTERROGAÇÃO: Que peso terá o voto por correspondência na escolha do próximo Presidente dos EUA?

SONDAGEM: Joe Biden 52 - Donald Trump 42 (Economist/YouGov, 11 a 13 out)

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