America Countdown... 19 dias. O que resta dos republicanos conscientes?

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - O QUE FARÁ GEORGE W. BUSH? A "grande tenda" montada pela candidatura de Joe Biden vai da esquerda radial até aos republicanos moderados. Sucede que esta última parte está em claras vias de extinção. No debate dos vices, Kamala Harris puxou dos galões e lembrou figuras relevantes do Partido Republicano que apoiam Joe (Colin Powell, John Kasich, Cindy McCain). Perto de uma dezena de antigos titulares de pastas de administrações Bush apoiam Biden, como Carlos Gutierrez (ex-secretário do Comércio) e Ann Veneman (ex-secretária da Agricultura). Podemos adicionar a esta lista mais de uma centena de antigos conselheiros e assessores (sobretudo nas áreas de Defesa e Política Externa, mas também noutras) dos ex-Presidentes Bush pai e Bush filho. Há ainda nomes como a ex-governadora republicana da Nova Jérsia, Christine Todd Whitman, a ex-candidata às primárias republicanas Carly Fiorina, a ex-CEO da Hewlett Packard e do eBay, Meg Whitman, ou a antiga congressista republicana de Nova Iorque, Susan Molinari. Ok, é relevante. Mas sejamos claros: são tudo figuras de segunda linha política, apenas com alguma dimensão local ou estadual, mas sem tração relevante no plano nacional. Sendo conhecidas as divergências do ex-Presidente George W. Bush com Donald Trump, o que fará o 43.º Presidente dos EUA? Vai manter-se no recato a que se votou? Ou vai assumir o risco de ser o primeiro ex-Presidente a apoiar um candidato de outro partido? E Mitt Romney, nomeado presidencial republicano em 2012 e único senador republicano a votar a favor do "impeachment"? Será que também se vai manter em silêncio ou terá a coragem de verbalizar o que considera ser crucial para o atual momento da América, nesta eleição definidora?

2 - OS SINAIS DO FINANCIAMENTO. Joe Biden está a conseguir recolher muito mais fundos para a campanha do que Donald Trump, nesta fase decisiva. O momento de maior recolha foi a última hora do debate de Cleveland, o que aponta para que muita gente se sentiu indignada com o comportamento "bully" e desrespeitador de Trump. Mas há uma área em que Trump está muito acima de Biden na recolha de fundos: junto da "corporate America" e dos CEO. Donald recebeu até agora 2,5 milhões de dólares dos CEO das 500 maiores empresas da S&P. Biden apenas 536 mil dólares - cinco vezes menos. Até ao final de junho, a campanha Biden tinha recolhido um total de 242 milhões de dólares, menos 50 milhões de Trump. Mas o agravar da pandemia e o caso George Floyd mudaram a rota desta corrida: pelo final de setembro, a campanha Biden tinha perto de 500 milhões para gastar em anúncios, a campanha Trump ia pelos 350 milhões. E a tendência parece ser para que essa diferença se agrave. Nos estados decisivos, desde 1 de setembro, Biden tem conseguido perto do dobro do financiamento do adversário. Nesta fase da campanha, em que os anúncios televisivos terão muita importância, isso pode contar muito.

UMA INTERROGAÇÃO: Que peso terá o dinheiro nesta eleição?

ESTADOS DECISIVOS

Carolina do Norte: Biden 48-Trump 47 (Reuters/Ipsos, 7/13 out)

Iowa: Biden 49-Trump 49 (CBS News/YouGov, 6/9 out)

Florida: Biden 50-Trump 47 (Emerson, 10/12 out)

Arizona: Biden 52-Trump 46 (CBS News/YouGov, 6/9 out)

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

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