America Countdown... 20 dias. América em versão esteroides

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - MAKE AMERICA NOT ACTIVELY ON FIRE AGAIN
É um pouco isto que pode decidir a eleição nesta fase. Donald Trump está a fazer subir o tom da ameaça a um nível que estará a assustar uma parte decisiva do eleitorado. Entrámos numa espécie de dois mundos na interpretação do que está a acontecer nos EUA. A via Trump e dos seus apoiantes é a de acreditar que em poucos dias se pode voltar ao terreno, mesmo ainda sem teste negativo (o médico de Trump diz que ele já não contagia, mas isso vai conta o calendário da doença até agora). Autoridades sanitárias e médicas, campanha Biden estão numa via mais responsável, de dar prioridade à saúde e à precaução. Trump terá perdido parte dos independentes e dos moderados com o seu comportamento desde que ficou infetado. Em vez de tentar corrigir, agrava o comportamento irresponsável. Foi isso que fez no lamentável comício em Sanford, Florida, num chorrilho de tiradas negacionistas. Os fanáticos vão atrás, mas há cada vez mais sinais que apontam para que uma franja de quem votou Trump em 2016 não estará tendente a repetir o voto em 2020. E isso explica a vantagem relativamente confortável que Joe Biden neste momento tem. A promessa de tranquilizar uma América que tomou esteroides parece estar a ser vencedora.

2 - O FIM DE UMA GRANDE LINHAGEM AMERICANA
Roberta McCain, mãe do falecido senador John McCain, morreu na passada segunda, aos 108 anos. Foi, como o filho, uma grande americana. Uma mulher única, de uma coragem e ousadia singulares. Sempre à frente do seu tempo, nos anos 30 do século passado fugiu de casa, com 20 anos, para casar em Tijuana, México, com um então jovem marinheiro e futuro almirante, chamado John Sidney McCain I. Tiveram três filhos e um deles foi John Sidney McCain II, nascido no Canal do Panamá, numa base naval norte-americana. Viria a ser candidato presidencial republicano, senador por três décadas e até hoje o militar americano mais tempo mantido em cativeiro, pelos cinco anos que passou preso no Vietname, depois do seu helicóptero ter sido abatido. O senador McCain herdou da mãe a enorme coragem que tinha: já depois da corrida presidencial que o filho perdeu para Barack Obama, em 2008, Roberta McCain, quase centenária, decidiu fazer um passeio pela Europa com uma amiga. Chegaram a Lisboa, tentaram alugar um carro, foram informadas que acima dos 80 anos não conseguiriam. "Não se pode alugar? Compra-se!" E assim foi. Compraram um carro, passearam pela Europa, até teve um contratempo a andar por Lisboa: caiu, magoou-se e foi ao hospital. Na morte de Roberta McCain, 26 meses depois da morte do seu filho John, é uma linhagem de uma grande família americana que desaparece. A América de 2020, manchada pelo populismo egocêntrico de um Presidente que tomou o Partido Republicano como refém, precisava tanto da bravura dos McCain. Tanto.

UMA INTERROGAÇÃO: Que peso terão os latinos na escolha do próximo Presidente dos EUA?

ESTADOS DECISIVOS

Pensilvânia: Biden 51-Trump 44 (Reuters/Ipsos, 6/11 out)

Florida: Biden 50-Trump 47 (Emerson, 10/12 out)

Michigan: Biden 48-Trump 40 (NYT/Siena, 6/11 out)

Carolina do Norte: Biden 50-Trump 46 (PPP, 4 a 6 out)

Wisconsin: Biden 51-Trump 41 (NYT/Siena, 6 a 11 out)

Arizona: Biden 49-Trump 43 (Redfield & Walton Strategies, 4 a 7 out

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de