America Countdown... 34 dias. O primeiro debate e um exemplo deprimente

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - O PRIMEIRO DEBATE. O duelo inicial Trump/Biden será esta noite (madrugada de quarta, 30, em Portugal continental), em Cleveland, Ohio, na Case Western Reserve University, e contará com a moderação do jornalista Chris Wallace, da FOX News. Wallace (que apesar de ser da FOX é reconhecido como um dos mais credíveis e isentos jornalistas políticos da TV americana, tendo, aliás, realizado há uns meses uma das mais duras entrevistas de sempre a Donald Trump) escolheu os seguintes tópicos para o debate: os currículos de Trump e Biden; o Supremo Tribunal; a COVID-19; a Economia; a Raça e a Violência nas cidades dos EUA; a Integridade desta eleição. Fora da agenda, mas certamente a ser abordada, será a investigação do New York Times sobre os impostos de Trump (ver ponto 2). A escolha dos temas é da exclusiva responsabilidade do moderador e não contou com a negociação das candidaturas. Cada segmento terá cerca de 15 minutos. Os candidatos têm dois minutos para responder, após a abertura de cada tema feita pelo moderador. Wallace poderá, depois, usar o resto do tempo para desenvolver cada tópico junto dos candidatos. Os debates estão a ser esperados como possivelmente decisivos, embora as audiências em TV tradicional deste tipo de eventos tenham vindo a reduzir um pouco nos últimos anos. Biden, em Town Hall recente na CNN, mostrou estar em boa forma, mas terá teste importante para provar que não está "senil" ou "desmemoriado", ao contrário do que diz o rival. Trump, há quatro anos, perdeu os três debates para Hillary (por grande diferença, sobretudo no primeiro, em todos os estudos feitos), mas isso não o impediu de ser eleito semanas depois. Por força da pandemia, os candidatos não vão cumprimentar-se. Haverá uma plateia reduzida, de apenas 70 a 80 pessoas, sendo que todos os espectadores farão previamente o teste da Covid-19. Haverá um debate entre os "vices" Kamala Harris e Mike Pence, a 7 de outubro, e ainda mais dois debates entre Biden e Trump; dia 15, em Miami, Florida, com a moderação de Steve Scully, editor de política do C-SPAN, e dia 22, Nashville, Tennessee, com a moderação da repórter da NBC News na Casa Branca, Kristen Welker.

2 - QUE RAIO DE EXEMPLO É ESTE? O Presidente dos EUA, apontado pela revista Forbes como uma das 300 maiores fortunas da América, não pagou impostos em 10 dos 15 anos anteriores a ter chegado à Casa Branca - e apenas deu à autoridade tributária 750 dólares nos anos fiscais de 2016 e 2017. Investigação do New York Times, sustentada pelo trabalho de três dos repórteres mais credenciados jornal, mereceu manchete com capitulares (algo muito raro na história do NYT) e confirmou suspeitas já levantadas na campanha de 2016. Trump tinha sido, há quatro anos, o primeiro candidato presidencial na América a não revelar a sua declaração fiscal - algo que agora dá para compreender melhor. Outro candidato qualquer não teria resistido a isso: mas Trump não só resistiu como foi eleito. Quatro anos depois, o seu "povo" não dá mostras de vacilar no apoio do seu campeão. Porquê? Porque não lhe exige coerência ou verificação: exige-lhe que destrua o outro lado. E nisso Trump é muito bom. Nisso e a fugir aos impostos, como dá para ver na matéria do NYT. Vai contar? Talvez conte alguma coisa junto de um eleitorado indeciso e independente - espécie em vias de extinção, numa América dramaticamente dividida e polarizada. Numa eleição renhida como esta, nem que mude a opinião a 2 ou 3% dos eleitores, já pode ser a diferença entre Trump ser ou não ser reeleito. Mas nunca fiando. Até porque para a base Trump estas coisas até mobilizam: é Trump vs New York Times, não se esqueçam. Para lá disso tudo (resultados eleitorais não são tudo numa democracia): que raio de exemplo é este, vindo de um Presidente dos EUA?

UMA INTERROGAÇÃO: Quanto vai contar no resultado eleitoral este escândalo da fuga aos impostos por parte de Donald Trump, revelado pelo New York Times?

JOE BIDEN ALARGA VANTAGENS NOS ESTADOS DECISIVOS
Arizona: Biden +11 (53/42, Hart Research Associates, 17 a 22 set)
Wisconsin: Biden +10 (54/44, NBC News/Marist, 21 a 25 set)
Michigan: Biden +8 (52/44, NBC News/Marist, 19 a 22 set)
Pensilvânia: Biden +7 (51/44, Fox News, 20 a 23 set)
Ohio: Biden +5 (50/45, Fox News, 20 a 23 set)

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de