America Countdown... 37 dias. Criar uma fantasia e atacá-la

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - CRIAR UMA FANTASIA E ATACÁ-LA
Apesar da onda "populista" e "extremista", que parece colocar os moderados em apuros, os democratas recusaram nomear Bernie Sanders e preferiram claramente o centrismo moderado, seguro e institucional de Joe Biden. Mesmo assim, Donald Trump criou a fantasia de que os democratas "estão dominados pelo radicalismo socialista e marxista", o que, olhando para a plataforma da candidatura Biden, é apenas uma fantasia. "Biden está a seguir o programa escrito pelo maluco Bernie Sanders", repete Trump nos comícios. Num tempo normal, alguém criar uma fantasia e depois atacar essa fantasia seria apenas uma anedota risível. Nos tempos estranhos em que vivemos, trata-se do Presidente dos EUA, a procurar a reeleição, que assim fala - e não é que isso está a servir para energizar parte da sua base? Convém, por isso, regressar ao essencial: Biden não está a fazer campanha baseada em "causas fraturantes", muito menos tem programa "radical e marxista". Tem, basta lê-la, uma plataforma eleitoral moderada, centrista, que até se mostra dura com a China e protecionista nos "postos de trabalho americanos" do Midwest. Uma mentira repetida muitas vezes não se transforma em verdade só porque é repetida muitas vezes.

2 -A ESTRATÉGIA TRUMP PARA A REVERSÃO
Donald Trump vai atrás nas sondagens, mas em muitos dos estados decisivos tem diferenças ainda recuperáveis. Se há quatro anos ganhou furando a "firewall" que Obama tinha mantido no Midwest e Hillary não conseguiu manter (Ohio, Wisconsin, Pensilvânia e Michigan), desta vez Trump acredita que pode bater inesperadamente o opositor democrata em estados como Minnesota (que nas últimas quatro décadas só não votou democrata na reeleição de Reagan), New Hampshire (que Hillary ganhou por pouco) ou Nevada (com avanços cada vez menores de Biden). O contrário também pode ser verdade: Biden dá mostras de poder vencer em redutos tradicionalmente republicanos como o Arizona e a Carolina do Norte (chegou a ter esperanças no Texas e na Geórgia, mas isso neste momento não é uma hipótese real). Tudo somado e baralhado, para Trump continuar a acreditar na reeleição tem que manter a Florida como possivelmente segura (coisa que as sondagens estão longe de confirmar), tem que fazer tudo por manter os três do Midwest (Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, sendo que está atrás em todos eles neste momento) ou, em última análise, tem que fazer do Minnesota (Biden à frente por mais de 10 pontos), do Nevada (Biden à frente por 3 a 5 pontos) e do New Hampshire (Biden à frente 3 a 8 pontos) as três grandes surpresas de 3 de novembro. Não é provável. Mas também já vimos, há quatro anos, que é melhor ressalvar que "não é impossível".

UMA INTERROGAÇÃO: Que estados vão "mudar de cor" nos resultados das eleições 2020?

MODELO PREDITIVO ECONOMIST

Probabilidades eleição: Joe Biden 85%-Donald Trump 15%

Probabilidades de quem irá vencer voto popular: Joe Biden 97%-Donald Trump 3%

Previsão Colégio Eleitoral: Joe Biden 330-Donald Trump 208

MODELO PREDITIVO FIVETHIRTYEIGHT

Probabilidades eleição: Joe Biden 77%-Donald Trump 23%

Previsão voto popular: Joe Biden 52,7%-Donald Trump 46,0%

Previsão Colégio Eleitoral: Joe Biden 330-Donald Trump 208

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