America Countdown... 42 dias. Oportunidade perdida por falta de dimensão

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - OPORTUNIDADE PERDIDA POR FALTA DE DIMENSÃO
Na morte de Ruth Bader Ginsburg, juíza do Supremo Tribunal dos EUA, Donald Trump teria a grande oportunidade de sarar feridas numa sociedade dramaticamente dividida e, ao mesmo tempo, de ganhar a eleição de 3 de novembro, reconciliando parte do eleitorado independente e democratas moderados. Poderia fazê-lo se respeitasse o espaço político e o quadro de valores que a juíza Ginsburg representava, nomeando um sucessor (ou uma sucessora) que se enquadrasse na mesma esfera liberal, depois de, neste mandato presidencial, já ter nomeado dois juízes conservadores (Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh). Mas não creio que tenha nem dimensão pessoal nem capacidade política para o fazer. Vai aproveitar para mudar, em gerações, o sentido ideológico do Supremo Tribunal para uma carga demasiado conservadora e à direita, tendo em conta o que é verdadeiramente a América. É o problema de ser um Presidente de fação e de nicho -- e não um Presidente respeitador da União em que os EUA se fundam. Sem a juíza Ginsburg, o Supremo passa a contar com apenas três juízes de tendência liberal (Elena Kagan e Sonia Sotomayor, ambas nomeadas põe Barack Obama, e Stephen Breyer, nomeado por Bill Clinton), quatro juízes claramente conservadores (Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh, ambos nomeados por Donald Trump, ainda Sam Alito, nomeado por George W. Bush, e Clarence Thomas, nomeado por George W. Bush) e o "chief justice" John Roberts, nomeado por George W. Bush, que é tendencialmente conservador, mas tem um registo que, por vezes, se alinha nas votações mais moderadas ou liberais. Ou seja: se Trump nomear alguém muito conservador, o alinhamento ideológico do Supremo fica mesmo muito à direita. O Presidente já disse que quer que o Senado aprove rapidamente o novo nome - e deu a entender que será uma mulher. Não nos esqueçamos que, com a perspetiva duma eleição presidencial renhida e com o risco de haver disputas de recontagem que cheguem aos tribunais em vários estados decisivos (sobretudo com o aumento enorme do voto por correspondência), não é impossível que a composição do Supremo seja relevante para uma decisão final sobre a validação do próximo resultado eleitoral. Há dois anos publiquei um livro com um título que diz tudo sobre o que neste ponto explico: isto não é bem um Presidente dos EUA.

2 - UM "TOWN HALL" SEM QUALQUER SINAL DE FRAQUEZA
Donald Trump vai repetindo que Joe Biden "está velho", é "sonolento" e lança suspeitas sobre uma possível "senilidade" do seu opositor. Ora, nada disso se verificou no "Town Hall" que a CNN organizou, com apresentação de Anderson Cooper, com o nomeado presidencial democrata. Joe marcou diferenças em relação ao adversário ("sou o candidato de Scranton, Pensilvânia, Midwest profundo; ele é o candidato de Park Avenue"). Foi à jugular, lembrando o episódio dos insultos de Trump aos combatentes ("losers and suckers"). Prometeu ser um Presidente mais decente, mais confiável, menos dependente de Putin e de líderes pouco recomendáveis. E sobre a gestão de Trump na pandemia, chamou-a de "quase criminoso". "Não confio em Trump nas vacinas, confio no dr. Fauci". É Biden ao ataque, a mostrar que não quer só esconder-se na vantagem nas sondagens, que não tem medo de aparecer e dar a cara.

UMA INTERROGAÇÃO: Será a idade avançada de Joe Biden um fator determinante, tendo em conta que Donald Trump tem apenas menos três anos

ESTADOS DECISIVOS

Florida: Trump 50-Biden 50 (Florida Atantic University, 11 e 12 set)

Nevada: Biden 46-Trump 42 (NYT/Siena College, 8 a 19 set)

Ohio: Biden 49-Trump 45 (Rasmussen Reports, 1 e 2 set)

Colorado: Biden 55-Trump 45 (Emerson, 1 e 2 set)

Geórgia: Trump 48-Biden 41 (WSB-TV-Landmark, 29 a 31 ago

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