America Countdown... 45 dias. Verdade sem consequência

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - QUE MAIS PODE COMPROMETER TRUMP?
Eu sei que a memória é cada vez mais curta. Vale, por isso, a pena recordar: Donald Trump já foi alvo da Comissão Mueller, que no relatório final concluiu pela interferência russa na eleição 2016; foi alvo de acusação gravíssima no caso do "impeachment", de ter pedido a uma potência estrangeira (a Ucrânia) para interferir na eleição 2020, de modo a dar material comprometedor para Biden (o processo ficou provado na Câmara dos Representantes e o Senado apenas não confirmou a destituição do Presidente, pela maioria republicana); o seu ex-Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, num livro arrasador, acusou-o de ter pedido a Xi Jinping que o ajudasse a ganhar a eleição 2020; outros livros mais recentes, como o de Michael Cohen, seu advogado por dez anos, "Disloyal" e o de Bob Woodward, "Rage", avançam com acusações igualmente perturbadoras sobre o atual inquilino da Casa Branca; na pandemia, Anthony Fauci acusa Trump de não seguir as indicações das autoridades sanitárias nas mensagens que dá à população, colocando-a em perigo. Ou seja: em menos de quatro anos, Trump foi acusado de ter pedido ajuda à Rússia, à Ucrânia e à China para ganhar as eleições 2016 e 2020 e de não ter cumprido o mais básico que um Presidente tem que cumprir: proteger a vida da população que representa. Depois disto tudo, ainda tem hipóteses de ser reeleito? É caso para perguntar: que mais tem que acontecer para que o atual Presidente dos EUA saia comprometido numa escala proporcional à gravidade das coisas de que é acusado?

2 - "AH E TAL, PELO MENOS HÁ VANTAGENS COMERCIAIS". A SÉRIO?
Ainda poderia desfiar um rol com o dobro das perplexidades expostas nas linhas anteriores - mas a ideia que fica é que, com Trump, nada disto chega para que milhões de pessoas na América e no resto do mundo continuem a achar que "ok, ele tem muitos defeitos e devia agir de outra forma, mas os outros políticos também erram e ele há de conseguir alguma coisa positiva". Como é que se lida com isto? Será que os "bullies" que projetam os piores instintos beneficiam de uma espécie de "síndrome de Estocolmo" coletivo? Será essa uma forma de proteção que muita gente encontra para acomodar a maldade que sempre existirá no mundo? Será que os valores de tolerância, respeito pela diferença, tentativa de perceber "o outro lado" e a necessidade de buscar consensos são mesmo totalmente abdicáveis por uma fatia muito considerável da população, a troco de uma suposta "vantagem meramente comercial", que nem sequer está a confirmar-se?

UMA INTERROGAÇÃO: Vai algum acontecimento até 3 de novembro influenciar decisivamente o resultado eleitoral?

ÚLTIMAS 10 SONDAGENS NACIONAIS:

Economist/YouGov: Biden 51-Trump 42 (13 a 15 set)

Rasmussen Reports: Trump 47-Biden 46 (9 a 15 set)

Reuters/Ipsos: Biden 50-Trump 41 (11 a 15 set)

The Hill: Biden 45-Trump 39 (10 a 14 set)

Fox News: Biden 51-Trump 42 (7 a 10 set)

USC Dornsife: Biden 50-Trump 43 (9 a 15 set)

JTN/RMG Research: Biden 48-Trump 43 (10 a 12 set)

Monmouth: Biden 51-Trump 44 (3 a 8 set)

CNBC/Change Research: Biden 51-Trump 42 (4 a 6 set)

CBS News: Biden 52-Trump 42 (2 a 4 set)

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