America Countdown... 46 dias. "Ele diz as coisas como elas são"

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - "ELE DIZ AS COISAS COMO ELAS SÃO"
Há um cartoon, magnífico porque certeiro, que tenta apanhar a essência do populismo: mostra um lobo todo bem vestido e com ar de bem falante que diz, em grande destaque num outdoor gigante a dominar a paisagem, com todas as letras: "EU VOU COMER-VOS". O outdoor está colocado num vale e a caminho dele, sem hesitar, vai um rebanho de ovelhas entusiasmadas dizendo: "Ao menos ele diz as coisas como são". O cartoon tem mais que se lhe diga do que possa, à primeira vista, parecer. Mostra como as análises literais podem ser poderosas para os segmentos que se sentem atraídos pelo populismo. Sim, ok: ele está a dizer as coisas como elas são: é um lobo e está prontinho a comer as ovelhas que, alegremente, vão na sua direção. Mas... a sério que é isso que elas querem? Uma suposta "genuinidade" limite? Claro que, no caso de Trump, nem sequer essa genuinidade existe. Mas a ideia dessa pureza do "antipolítico" e do "antissistema" floresce nesta perversão democrática. A grande questão nos EUA 2020, depois de quatro anos de presidência Trump é: será que este discurso ainda cola para milhões de eleitores desprevenidos?

2 - A GRANDE TENDA QUE BIDEN QUER MONTAR
A força da candidatura Biden não reside no candidato, que tem fragilidades óbvias (a idade, as derrotas anteriores, a falta de carisma e vigor, as gafes), mas na vontade existente em vários setores da sociedade americanas, inconciliáveis em qualquer outro momento histórico, de correr com Donald Trump da Casa Branca. Joe Biden tem um caminho muito largo para a vitória: se conseguir coligar a esquerda progressista que apoiou Sanders e Warren nas primárias; se somar todo o centro moderado, o seu espaço político de eleição; se, ainda, congregar o essencial dos independentes e republicanos descontentes com Trump (não há muitos, mas existem; que sejam 5 ou 7% dos eleitores republicanos, já podem ser muito relevantes para as contas finais). É essa a grande tenda que Biden quer montar: ele sabe que a junção de todos esses setores formará uma clara maioria presidencial. Falta saber se é capaz de os mobilizar para o voto. Uma coisa é não gostar de Trump. Outra é concretizar o voto em Biden.

UMA INTERROGAÇÃO: Quem ganhará o voto dos independentes, aqueles que não têm qualquer ligação a democratas ou republicanos?

ESTADOS DECISIVOS

Florida: Biden 50-Trump 45 (Monmouth, 10/13 set)

Carolina do Norte: Biden 47-Trump 47 (WRAL-TV/SurveyUsa, 10/13 set)

Pensilvânia: Biden 50-Trump 46 (CNBC/ChangeResearch, 4 a 9 set)

Michigan: Biden 49-Trump 43 (CNBC/ChangeResearch, 4 a 9 set)

Arizona: Biden 50-Trump 48 (Gravis, 9 a 11 set)

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