America Countdown... 47 dias. É o caráter da América que vai a referendo

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - REFERENDO AO CARÁTER DA AMÉRICA
Martin Amis a colocar o dedo na ferida, como faz quase sempre: "Esta eleição será um referendo ao caráter da América, não à performance de Trump". Em entrevista a Emma Brooks no "Guardian", o romancista britânico confessa: "Há quatro anos fiquei horrorizado quando Trump ganhou, mas ao mesmo tempo pensei... "bem, vai ser interessante". Mas agora isto está a ficar... assustador. (...) Em 2016, votar em Trump foi uma escolha frívola num homem frívolo em tempos fáceis. Agora os tempos são difíceis, duros, e não vamos querer um homem frívolo. Vamos querer um político sério que consiga fazer acordos e consiga concretizar coisas e organizar". Amis chegou a acreditar que com a pandemia tudo mudaria: "Quer dizer, Trump não ia poder continuar a mentir dez vezes por dia quando passou a estar em causa a vida e a morte..." Mas nem assim: "Nada mudou, claro. Trump percebeu que já nem é preciso ser-se hipócrita. Já nem é necessária a hipocrisia. Já não é necessário o julgamento. As pessoas orgulham-se de ser desonestas e de agir como tubarões ou abutres".

2 - TENDÊNCIAS E OBSESSÕES
Há uma narrativa que muita gente repete, por esta altura, de um modo que vai da convicção à obsessão: o de que "Trump acabará por ganhar" a eleição. Uma espécie de "síndrome de Estocolmo" que ignora os dados que diariamente a eleição vai mostrando. Um pouco a lembrar aquela tirada em forma de pergunta no tema de Sérgio Godinho: "Que força é essa que só te manda obedecer?" Mas, afinal, é para levar a sério essa "inevitabilidade"? Claro que não. Neste momento, está tudo em aberto. Trump tem alguns trunfos (é Presidente, a Economia dá sinais de estar a retomar, a vacina não estará longe). Mas olhar para os dados dos estados decisivos e achar que Trump está mais bem posicionado para a reeleição do que Biden para a eleição é mesmo muito complicado. Em 14 estados decisivos, Joe Biden lidera em 10: Florida, Colorado, Pensilvânia, New Hampshire, Nevada, Michigan, Virgínia, Wisconsin, Minnesota e Arizona. Trump está à frente (e por pouco) em apenas quatro: Texas, Carolina do Norte, Iowa e Ohio. Olhar para este cenário e ver como mais provável a reeleição de Trump que a eleição de Biden é mesmo muito difícil. Mas há quem consiga.

UMA INTERROGAÇÃO: Vão as sondagens nos estados decisivos do Midwest falhar no vencedor, como aconteceu em 2016?

Modelo preditivo da Economist

Probabilidade de eleição: Biden 84% / Trump 15%

Probabilidade de ter mais votos: Biden 97% / Trump 3%

Modelo preditivo do FiveThirty Eight

Probabilidade de eleição: Biden: 76% / Trump: 24%

Previsão Colégio Eleitoral: Biden 329/Trump 209* (*270 necessários para vencer)

Média de intenção de voto: Biden 52,5%/ Trump 46,7%

Estados decisivos

Média Biden: 48,6% / Média Trump: 45,1%

Apostas para o vencedor

52,8% vão para Biden / 46,3% vão para Trump

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