America Countdown... 48 dias. Mentiras, sondagens e mitos

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - A MENTIRA DESCARADA TEM CONSEQUÊNCIAS ELEITORAIS?
Com Donald Trump não é certo. Trump é o tipo que alinhou com os "birthers" e, por 2010 e 2011, tantas vezes repetiu a conversa do local de nascimento de Barack Obama que levou mesmo o então Presidente dos EUA a divulgar o certificado de nascimento, em que estava claro que tinha nascido no Hospital de Honolulu, Havai, obviamente território americano, e não no Quénia. Trump é o mesmo tipo que insinuou que injeções de desinfetante talvez pudessem matar o coronavírus (horas depois dessa declaração, registou-se um pico de intoxicações por injeção). Trump é o mesmo tipo que diz que é o homem mais rico da América (nem nos 200 mais ricos está). Trump é o mesmo tipo que diz que com Obama na Presidência a criminalidade subiu para picos de várias décadas (na verdade, desceu na maior parte dos anos para mínimos de duas décadas e meia, com pequenas subidas sem significado em dois anos, sempre seguidas de novas baixas). Trump é o mesmo tipo que dizia que o "Apprentice" era o programa de entretenimento mais visto da TV americana (não era, estava longe de o ser e isso foi desmentido pela concorrência). Desmentir, com evidências, as mentiras descaradas de Trump têm relevo? Claro que têm, mas só para quem se interessa na verdade. Para o povo Trump, essas mentiras descaradas são a exaltação do que querem ouvir. Como é que se sai disto?

2 - AS SONDAGENS CONTAM?
Claro que sim. Mas nesta fase dizem-nos quem vai ganhar? Claro que não. Percebo a obsessão com 2016: Hillary parecia ter a coisa controlada, aparecia muito à frente em quase todos os estudos - mas depois foi Trump que foi para lá. Convém, no entanto, desconstruir o mito criado a partir daí, segundo o qual "as sondagens erram sempre". Não erraram dois anos depois nas midterms: acertaram até com uma precisão surpreendente na dimensão do triunfo democrata na câmara baixa e na pequena vantagem republicana no Senado. Acertaram em cheio nas primárias democratas 2020: em todos os estados, com resultados tão diferentes entre os candidatos, de estado para estado. Já tinham acertado nas primárias 2016, nos dois campos. E foram acertando no essencial do que se fez desde 2016, em eleições estaduais (mesmo com algumas surpresas). Se Biden aparece à frente nas sondagens nacionais com diferenças superiores a 5 pontos, e nos estados decisivos por diferenças por vezes um pouco mais apertadas, então não há forma de se dizer que Trump é favorito. Biden, neste momento, é favorito. Se assim continuará a ser até de 3 de novembro, isso já é outra questão. A diferença não é muito grande - mas, por enquanto, parece consistente e sólida.

UMA INTERROGAÇÃO: Será que os indicadores que nos mostram, nesta fase, Joe Biden a liderar em quase tudo estão todos enganados e nos espera mais um resultado-choque na noite de 3 de novembro?

Modelo preditivo da Economist

Probabilidade de eleição: Biden 84% / Trump 16%

Probabilidade de ter mais votos: Biden 97% / Trump 3%

Modelo preditivo do FiveThirty Eight

Probabilidade de eleição: Biden: 75% / Trump: 24%

Previsão Colégio Eleitoral: Biden 329/Trump 209* (*270 necessários para vencer)

Média de intenção de voto: Biden 52,8%/ Trump 45,9%

Estados decisivos

Média Biden: 48,5% / Média Trump: 45,0%

Apostas para o vencedor

52,8% vão para Biden / 46,3% vão para Trump

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