America Countdown... 49 dias. "Estar bem com a lei que há"

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - "ESTAR BEM COM A LEI QUE HÁ"

Isto, Senhor Doutor, o que é preciso é a gente estar bem com a lei que há", explicava um sábio pastor alentejano a José Cutileiro. Já tinha lido a história por 2014, no "Bloco Notas" do blogue Retrovisor, mas soube recordá-la, em saborosa leitura de férias, no "Inventário", livro de fim de vida do culto, vivido e muito divertido Embaixador, que durante 15 anos ouvi e li - com ele me viciei no caminho inesgotável de tentar compreender o mundo. A fala do pastor alentejano bem que podia ser a legenda da atitude dos republicanos nestes estranhos anos Trump. Primeiro estranharam e desdenharam. Depois recearam. Agora entranharam. E já nem estranham. Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro: "Quando era garoto, em dois rios de São Paulo dava para tomar banho e ia pescar com o meu pai. Eram limpos, não havia problema. Hoje isso era impensável para um garoto de 10 ou 12 anos. A poluição é cada vez maior, o cheiro nauseabundo. Mas sabe o que é pior? É que com o tempo e o hábito, a gente até esquece de como era bom quando os rios eram limpos. Primeiro estranhamos quando começam a feder. Mas sabe o que é pior? É que a gente habitua. E já nem estranha que esses dois rios fedam". È no que dá levar à letra isso de "estar bem com a lei que há". Quando o inaceitável deixa de causar indignação e passa a ser normal. Quando perdemos a capacidade de achar estranho quando algo está profundamente mal.

2 - OS "EMPREGOS" E AS "CAUSAS FRATURANTES"

Trump e os seus apoiantes insistem na ideia de que o republicano é "o candidato dos empregos" e de uma América segura. Ora, vale a pena recordar o registo de criação de emprego dos últimos dois Presidentes democratas: 36 milhões de novos postos criados (24 milhões nos oito anos Bill Clinton; 12 milhões nos oito anos Barack Obama). Sobre "as causas fraturantes" que o campo Trump tenta associar a Joe Biden, convém lembrar que Biden era, nas primárias democratas, o candidato mais moderado e central. É certo que Joe quer agora absorver (com a ajuda de Kamala) boa parte do progressismo democrata, mas sempre com cautelas. Uma mentira repetida muitas vezes não passa a ser verdade só porque é repetida muitas vezes.

UMA INTERROGAÇÃO: Pode Donald Trump, que perdeu o Minnesota por apenas 1,5% para Hillary Clinton, disputar este estado situado na parte norte do Midwest, que nas últimas quatro décadas só com Ronald Reagan deu o triunfo a um republicano?

UM ESTADO: Minnesota

Resultado em 2016: Hillary 46,4%-Trump 44,9%

Resultado em 2012: Obama 52,7%-Romney 45,0%

Resultado em 2008: Obama 54,1%-McCain 43,8%

Resultado em 2004: Kerry 51,1%-Bush 47,7%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 11 vitórias democratas, 1 vitória republicana)

-- O estado do Minnesota tem 5,7 milhões habitantes: 79,1% brancos, 5,6% hispânicos, 7,0% negros, 5,2% asiáticos; 50,2% mulheres

10 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Minnesota | Biden 50-Trump 41

(Siena College/New York Times Upshot, 8/10 setembro)

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de