America Countdown... 50 dias. Votar duas vezes em duas Américas com duas recessões

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - "VOTEM DUAS VEZES PARA TESTAR"
Incrível como tanta gente já nem se aperceba de como em menos de quatro anos passou a aceitar passivamente o inaceitável. Donald Trump berra para os seus apoiantes na Carolina do Norte: "Votem duas vezes para testar o sistema! Se o voto à distância é tão bom como eles dizem, experimentem. Votem por correio e depois vão lá e votem presencialmente!" Ora, isto é incitamento a uma ilegalidade, por parte do Presidente dos EUA. É ilegal que a mesma pessoa vote mais que uma vez na mesma eleição. Se não fosse trágico, isto era cómico. E revela, com cada vez maior consistência, a ideia de que Trump pretende minar o processo, descredibilizá-lo, criar confusão, para assim ter argumentos para dizer que perdeu porque foi roubado e enganado. Que tristeza.

2 - DUAS AMÉRICAS, DUAS RECESSÕES
Antes da pandemia, o conto das "duas Américas" já era muito evidente: a década de crescimento económico e criação de emprego nos EUA (2010-2020) tinha agravado em 25% as desigualdades nos rendimentos. O crescimento económico só melhorou a vida dos mais ricos e de parte da classe média. A emergência sanitária e económica do último meio ano pôs a nu "duas Américas, duas recessões". Os mais vulneráveis, os mais pobres, os negros agravaram as suas condições de saúde e também as suas condições económicas nos últimos seis meses. Megan Cassella, no "Politico.com", aponta: "Nenhum outro país do G-7 tem este agravamento de desigualdades". Estudo Reuters/Ipsos identifica que três em cada cinco americanos vê a Economia dos EUA no caminho errado. Em agosto a Economia americana criou 1,4 milhões de empregos, mas essa recuperação está a dar sinais de abrandar, depois de três meses a criar acima dos 2 milhões. Até tapar o buraco dos 33 milhões de empregos perdidos em oito semanas entre março e abril ainda falta mesmo muito.

UMA INTERROGAÇÃO: Vai o Wisconsin voltar a ser o estado-surpresa desta eleição?

UM ESTADO: Wisconsin

Resultado em 2016: Trump 47,2%-Hillary 46,5%

Resultado em 2012: Obama 52,8%-Romney 45,9%

Resultado em 2008: Obama 56,2%-McCain 42,3%

Resultado em 2004: Kerry 47,8%-Bush 47,6%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 4 vitórias republicanas, 8 vitórias democratas)

- O estado do Wisconsin tem 5,9 milhões habitantes: 80,9% brancos, 7,1% hispânicos, 6,7% negros, 3,0% asiáticos; 50,2% mulheres

10 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Texas | Biden 50-Trump 43 (Morning Consult, 1/10 setembro)

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