America Countdown… 79 dias. Indignação, banalização, normalização

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - CHOQUE E INDIGNAÇÃO; BANALIZAÇÃO; NORMALIZAÇÃO. MAS... NORMALIZAÇÃO, COMO ASSIM? COMO? Há três momentos na nossa relação com Trump. 1) Choque e indignação; 2) Banalização das diatribes ("olha, mais uma do Trump..."); 3) Normalização do inaceitável, acomodação. Essa terceira parte é que não pode ser. Normalizar o inaceitável? Como assim? Trump tem conseguido abafar tudo à volta, exercendo uma espécie de síndrome de Estocolmo: andamos todos a falar dele, mesmo que de forma negativa e crítica - mas ao falar só dele impedimos que se cumpra um certo equilíbrio no sistema. O Presidente dos EUA desbaratou, por culpa inteiramente própria, a força simbólica da sua palavra. Ao perder a "medida" dos avisos que faz, perde a vantagem competitiva enorme que o poderio americano lhe poderia dar e passa a um jogo de "tudo ou nada" do qual dificilmente conseguirá tirar algo de positivo. Parece um adolescente a falar, ou então um autor de livros de autoajuda: é tudo maravilhoso ou horrível; fantástico ou terrível; o mundo que Trump apresenta é dual "bons e maus", "ganhar ou perder", para a América ser vencedora é preciso derrotar os outros... E a realidade não é assim, não é preto ou branco, tem tons cinzentos, é complexa.

2 - PORQUE É QUE TODOS E NÃO SÓ OS AMERICANOS NOS DEVEMOS PREOCUPAR COM A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL AMERICANA? Bernard-Henri Lévy, filósofo francês: «O que está a acontecer aos EUA é muito triste para a América, em primeiro lugar: está a perder grande parte da sua credibilidade, quando se tem um aliado e quando se diz ao resto do mundo que esse aliado não vale nada. E é muito mau também para os aliados americanos, que continuam a precisar dessa aliança. O que costumávamos chamar de Ocidente está a acabar. E isso é bom para os autocratas deste mundo, que se sentem reforçados no seu projeto de acabar com os valores ocidentais e com o projeto europeu. Os EUA estavam habituados a ser o líder moral do mundo. É muito triste ver como isso está a ser desfeito. O lado solar da colina, são vistos assim desde os peregrinos e é assim que a maioria dos americanos ainda veem os EUA. Ora, esse lado solar está agora a apagar-se. O Ocidente sem os EUA ficam sem referência, deixam de ser o Ocidente. A democracia sem o exemplo de liderança e referência dos EUA não pode ser verdadeiramente a democracia. Isso é uma grande fonte de preocupação para todos, não só para os americanos.»

UMA INTERROGAÇÃO: O que vai mudar e o que vai ficar essencialmente na mesma na política externa numa provável Administração Biden?

UM ESTADO: Nebraska

Resultado em 2016: Trump 58,8%-Hillary 33,7%

Resultado em 2012: Romney 59,8%-Obama 38,0%

Resultado em 2008: McCain 56,5%-Obama 41,6%

Resultado em 2004: Bush 66,0%-Kerry 32,7%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 1 vitória democrata, 11 vitórias republicanas)

- O Nebraska tem 1,94 milhões habitantes: 78,2% brancos, 11,4% hispânicos, 5,2% negros, 2,7% asiáticos; 50% mulheres

5 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Nebraska - Biden 51/Trump 44

(GQR Research: 30 junho/5 julho)

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

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