America Countdown… 80 dias. A vantagem da demografia e a carta da mobilização

1 - A APARENTE VANTAGEM DEMOCRATA. Os democratas têm a aparente vantagem da demografia: as minorias estão em crescendo. Mas têm o problema da dispersão. Falta-lhes uma mensagem clara neste momento. Trump tem a vantagem da mobilização: a sua mensagem identitária e anti-imigração, embora tenha uma base minoritária, é mais clara, mobilizável e identificada. A vantagem demográfica dos democratas tem-se espelhado no histórico do voto popular das últimas três décadas de eleições presidenciais nos EUA: o nomeado presidencial democrata teve mais votos que o republicano em seis das últimas sete (desde 1992). Em todo esse período, só em 2004 o nomeado republicano teve mais votos que o democrata (George W. Bush contra John Kerry, na reeleição). Essa vantagem foi também muito clara nas últimas intercalares de 2018, com a Câmara dos Representantes a ter uma enorme maioria de votos para candidatos democratas. Então porque é que a eleição presidencial não está já decidida para os democratas? Porque os republicanos precisam de menos votos para ganhar uma eleição presidencial, dado que conseguem vencer em estados com menos população. O grande avanço dos democratas em estados como a Califórnia ou Nova Iorque faz com que o candidato "deite" muitos votos fora.

2 - O ABSURDO NÃO DEIXA DE O SER PELA REPETIÇÃO. O maior risco desta era Trump é cairmos numa certa normalização do inaceitável. O absurdo não deixa de ser absurdo pela mera repetição. Mesmo que essa repetição se prolongue no tempo. O que mais me choca e entristece no triunfo Trump 2016 é que, por pequenos detalhes e não por um sentimento maioritário e claro do todo nacional, prevaleceu o ódio contra a compaixão, o discurso divisivo em detrimento da integração. Trump explora o medo do outro, dos imigrantes, da invasão de supostos criminosos e violadores vindo de outros países - e isso é um sentimento primário, que não tem adesão à realidade quando é analisada em estudos sérios. A agenda Trump 2016 foi uma agenda do passado: a grande e real ameaça aos empregos não está na imigração mas na automação e na Inteligência Artificial - que terá efeitos muitíssimo mais disruptivos. Estamos numa espécie de fase de transição: ainda não é claro para as pessoas que velocidade da mudança tecnológica vá aumentar de forma tão decisiva e definidora, mas o desconforto já cá está e os populismos tipo Trump, Le Pen, Brexit, Salvini e outros que tais aproveitam desta transição para usarem o bode expiatório mais fácil que é o "outro", os imigrantes, quando, na verdade, o diabo está em nós (e na nossa incapacidade de identificarmos a ameaça real) e não nos «outros».

UMA INTERROGAÇÃO: Que estados podem valer a Donald Trump, caso se mantenham as desvantagens do candidato republicano na Florida, na Carolina do Norte e em quase todo o Midwest?

UM ESTADO: Wyoming

Resultado em 2016: Trump 67,4%-Hillary 21,6%

Resultado em 2012: Romney 68,6%-Obama 27,8%

Resultado em 2008: McCain 64,8%-Obama 32,5%

Resultado em 2004: Bush 69,1%-Kerry 29,1%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 12 vitórias republicanas)

- O Wyoming tem 580 mil habitantes: 83,7% brancos, 10,1% hispânicos, 1,3% negros, 1,1% asiáticos; 49,1% mulheres

3 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Wyoming (não há sondagens para este estado até ao momento) | O modelo preditivo da Economist dá mais de 99% de probabilidades de vitória Donald Trump no Wyoming

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

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