America Countdown... 84 dias. Uma presidência perturbadora

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - UMA PRESIDÊNCIA PERTURBADORA. Donald Trump é alguém que chegou à Presidência sem qualquer experiência política, sem qualquer preocupação com a realidade factual, que maltrata aliados permanentes dos EUA e elogia e se aproxima de tiranos e ditadores, que desrespeita o legado e a dignidade política do seu antecessor, acabando com a tradição de respeito presidencial (mesmo entre democratas e republicanos) que havia na América. É também alguém que, em Helsínquia, se colocou ao lado da posição do presidente russo e contra a própria posição das agências de inteligência e serviços secretos dos EUA, ou mesmo da sua própria administração, que têm como certa a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Apenas um dos episódios que há pouco expus seria suficiente para condenar qualquer outro líder político. Mas com Trump parece que o "efeito Teflon" - nenhuma sujidade se lhe pega -- dura e dura e dura indefinidamente para um leque de muitos milhões de americanos - e também para muita gente insuspeita que por cá mantém um certo fascínio por personagem tão narcísica, egocêntrica e desrespeitadora dos outros poderes que não os seus. É muito perturbador.

2 - UMA AGENDA ERRADA EM QUASE TODOS OS SEUS PRESSUPOSTOS. Donald Trump tem uma agenda política que, na minha opinião, é errada nos seus pontos essenciais: é nacionalista e isolacionista; recusa o globalismo e o multilateralismo. Exorta o "America First" e faz questão de dizer que não é "Presidente do mundo", é só "presidente da América". Desdenha organizações internacionais como a ONU ou a NATO. Ataca os grandes acordos multilaterais e prefere acordos um a um, bilaterais, como se fosse possível construir o mundo de hoje dessa forma. Ignora os benefícios das relações de cooperação, vê as relações com os seus aliados como se fossem meros negócios em que para se ter lucro há que impor derrotas e prejuízos aos outros. Não percebe -ou então não quer perceber - que as relações entre estados não são meros negócios de casino: há que procurar soluções "win-win" em que todos saiam a ganhar. Tem um discurso agressivo em relação à imigração, enjeita a integração e a inclusão, prefere a exclusão e a hostilidade. Tem, por vezes, posições extremistas, mas não afirmo que seja um extremista. O que ele faz é usar, pontualmente, o extremismo de forma instrumental. Essencialmente, o que é mesmo é um nacionalista, um nativista e alguém que explora a "identidade" como principal plataforma eleitoral. Daí a sua agressividade à diferença, ao outro, à minoria. Daí a sua exploração de um discurso demagógico, que apela ao medo, quase sempre irracional e não sustentado pelos factos.

UMA INTERROGAÇÃO: Se Joe Biden for o próximo Presidente dos EUA vai recuar na agressividade americana que Trump impôs na relação com a China ou manterá o registo de rivalidade?

UM ESTADO: Oregon

Resultado em 2016: Hillary 50,1%-Trump 39,1%

Resultado em 2012: Obama 54,2%-Romney 42,2%

Resultado em 2008: Obama 56,4%-McCain 40,4%

Resultado em 2004: Kerry 51,6%-Bush 47,4%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 8 vitórias democratas, 4 vitórias republicanas - AS ÚLTIMAS OITO FORAM DEMOCRATAS)

-- O Oregon tem 4,2 milhões habitantes: 75,1% brancos, 13,4% hispânicos, 2,2% negros, 4,9% asiáticos; 50,4% mulheres

7 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Oregon (não há sondagens para este estado até ao momento) | O modelo preditivo da Economist dá mais de 99% de probabilidades de vitória Joe Biden no Oregon

*autor de quatro livros sobre presidências americanas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de