America Countdown... 94 dias. A guerra civil em curso nos EUA é só ideológica. Para já

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - GUERRA CIVIL IDEOLÓGICA

Donald Trump não é bem um Presidente dos Estados Unidos. Ocupa o cargo mais prestigiado e difícil de alcançar, mas vandaliza o legado de Washington, Jefferson, Lincoln, Roosevelt, Kennedy ou Reagan. Pisa os outros poderes, humilha adversários e aliados. Mente de forma descarada, inaugurando "novo anormal". Insinua não acatar pacificamente derrota nas urnas, em traço ditatorial que não deveria ter acolhimento no país da Liberdade. Tem um ego tão inacreditavelmente grande que projeta o delírio populista de "sozinho resolver as coisas". Num país que funda a sua grandeza na diversidade e na diferença, Trump oferece respostas rápidas às questões mais complicadas. Um "bully" autocentrado na Casa Branca é ver o mundo ao contrário. Avessa a reis, a América foi inspiração para o mundo livre -- mesmo com imperfeições sobejamente conhecidas. Nada do que Trump fez até agora será irreversível - só que o teste de 3 de novembro ditará muito do que poderá ficar durável. A "guerra civil ideológica" em que a sociedade americana caiu não começou com Trump. Mas foi fortemente agravada pelo "modus operandi" do seu Presidente.

2 - O "IMPEACHMENT" REVELOU A DOENÇA

Nancy Pelosi, que era o travão ao desejo compreensível mas insensato da ala esquerda à via do "impeachment", mudou de ideias quando soube, pelo final do verão do 2019, a dimensão do "Ukraine Scandal". A líder da maioria democrata na Câmara dos Representantes deixou de olhar para a "estratégia política" e passou a focar-se na "questão moral". Em tempos "normais", ver o Presidente dos EUA relegar o interesse nacional e usar a sua influência junto do líder de potência estrangeira para obter benefícios egoístas não geraria dúvidas sobre a inevitabilidade da destituição. Mas há muito que não vivemos em tempos "normais". A escolha presidencial de novembro de 2016 fundou-se em perceções erradas e mentiras populistas. Foi legítima no processo, mas de tal modo gerou aberração no sistema que só uma redenção clara de quem vota pode sarar devidamente. Donald Trump, eleito nas urnas, deve cair nas urnas: foi basicamente essa a máxima que os senadores republicanos seguiram, com a exceção honrosa de Mitt Romney, no julgamento no Capitólio, pelo final de janeiro, depois da ampla condenação na Câmara dos Representantes de maioria democrata. Destituição pela via congressional era quase impossível pela necessidade de dois terços no Senado e, na verdade, só teria agravado a "guerra civil ideológica" que o fosso político entre "democratas anti Trump" e "republicanos rendidos a Trump" reflete de modo degenerativo. Romney foi o único senador republicano a pensar pela própria cabeça - muitos outros (Lamar Alexander, Lisa Murkowski, Susan Collins, Rob Portman...) deram vários sinais de censurarem o comportamento do Presidente no tema que levou ao "impeachment". Mas preferiram engolir um sapo gigantesco que alinharam na cumplicidade da maioria republicana no Senado. O "interesse" eleitoral não explica tudo. Alguns deles nem sequer vão a votos em novembro. O receio de represálias por parte do "exército Trump" será causa muito mais eloquente. Mas bem menos dignificante, admita-se.

UMA INTERROGAÇÃO: Quantos senadores e congressistas na Câmara dos Representantes do Partido Republicano vão demarcar-se de Donald Trump -- e quantos antigos governantes nas administrações Reagan, Bush pai e Bush filho vão declarar apoio a Joe Biden?

UM ESTADO: Massachussets

Resultado em 2016: Hillary 60,0%-Trump 32,8%

Resultado em 2012: Obama 60,7%-Romney 37,5%

Resultado em 2008: Obama 60,8%-McCain 31,8%

Resultado em 2004: Kerry 62,1%-Bush 36,9%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 10 vitórias democratas, 2 republicanas)

-- O Massachussets tem 6,9 milhões de habitantes: 71,1% brancos, 12,4% hispânicos, 9% negros, 7,2% asiáticos; 51,1% mulheres

11 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Massachussets -- Biden 55/Trump 23

(MassINC Polling Group 24-26 julho)

* autor de quatro livros sobre presidências americanas

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