America Countdown... 96 dias. "Esta eleição não tem mesmo comparação"

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - UMA ELEIÇÃO MUITO ESTRANHA
Se a corrida presidencial norte-americana é já, ela própria, "o maior espetáculo do mundo" (acima disto, não há nada), este duelo Trump/Biden 2020 - no auge da maior pandemia num século e no país que tem, de longe, o maior número de casos e de mortos - não tem mesmo comparação com nada. Os dois candidatos estão na faixa etária de risco (Donald fez recentemente 74, Joe fará em novembro 78), nas últimas três semanas houve aumento de infeções em 41 estados (com fortíssimos agravamentos nos estados mais populosos, como Califórnia, Florida, Texas ou Arizona). Haverá mesmo condições para haver eleição a 3 de novembro? Na forma normal de se fazer uma eleição presidencial (corpo a corpo, com quatro ou cinco eventos/dia), certamente que não. Mas é muito improvável (quase impossível) que a eleição seja adiada. A lei americana é clara: a eleição presidencial decorre na primeira terça-feira a seguir ao dia 1 novembro do ano da eleição. Só um motivo absolutamente extraordinário a faria adiar. Sim, vivemos um tempo excecional. Mas essa data parece blindada. O que pode acontecer é um aumento significativo do voto à distância, por correspondência. Trump, como Presidente, não tem o poder de adiar a eleição. Pode propor adiamento ao Congresso, mas não o deverá fazer - porque sabe que se não houver eleição a 3 de novembro, o seu mandato, que expira a 20 de janeiro de 2021, não é renovado. E isso é mesmo a última coisa que ele deseja.

2 - TRANSIÇÃO MUITO POUCO PACÍFICA
Há uma forte tradição de transições pacíficas entre presidentes nos EUA - mesmo quando o testemunho passe de um republicano para um democrata ou o contrário. Mas basta analisar os sinais para perceber que, desta vez, não será assim. É bem maior o risco de Trump declarar fraude se perder do que tentar adiar a eleição, para evitar derrota, caso ela, perto de novembro, pareça inevitável. Todo o seu comportamento até agora (irresponsável e a arrastar para a lama o nome das instituições e do processo eleitoral, com acusações infundadas) faz temer o pior caso perca. Comecem a meter isto na cabeça: Donald Trump não abandonará pacificamente o poder. Todos os sinais que dá são esses. Se até em 2016, apesar de eleito, declarou fraude na Califórnia só para dizer que teria ganho o voto popular - quando não houve nada, absolutamente nada... - o que fará se perder? Deve temer-se uma espécie de sublevação da base Trump. Mas calma: os EUA têm regras, têm leis, têm tribunais - e, no limite, têm os militares. As declarações da elite militar (Generais Jim Mattis e John Allen, almirante Mike Mullen, secretário da Defesa Mark Esper), quando Trump agitou a possibilidade de enviar militares durante os protestos George Floyd, são tranquilizadoras. A elite militar americana, com profundo respeito pelo processo democrático, nunca permitirá que um presidente irresponsável tente subverter a escolha do povo, seja ela qual for. Na única declaração pública sobre isso até agora, Joe Biden desvalorizou o risco e mostrou confiança: "Os militares tratarão de pôr Trump fora da Sala Oval, se ele se recusar a aceitar uma derrota". Mas esperemos que não se tenha que se chegar aí.

UMA INTERROGAÇÃO: Vão os eleitores brancos pouco qualificados dos estados do Midwest manter a preferência por Trump, mostrada em 2016, ou regressam à tendência de votar democrata, que vigorara nas quatro décadas anteriores?

UM ESTADO: Colorado

Resultado em 2016: Hillary 48,2%-Trump 43,3%

Resultado em 2012: Obama 51,5%-Romney 46,1%

Resultado em 2008: Obama 53,7%-McCain 44,7%

Resultado em 2004: Bush 51,7%-Kerry 47,0%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 4 vitórias democratas, 8 republicanas - MAS VITÓRIA DEMOCRATA NAS TRÊS ÚLTIMAS)

-- O Colorado tem 5,8 milhões de habitantes: 53,2% brancos, 21,8% hispânicos, 4,6% negros, 3,5% asiáticos; 49,6% mulheres

9 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Colorado -- Biden 55/Trump 45

(Emerson 8-16 julho)

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