America Countdown... 97 dias. E as vacinas? Oh valha-nos Deus!

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - "TRUST IN GOD NOT IN VACCINES". O que faz o Presidente quando há manifestantes a dizer coisas como "My Body My Choice" (não deixa de ser divertidamente irónico, se nos lembrarmos a intolerância que mostram em relação ao direito ao aborto) e escrevem coisas como "Trust in God not in Vaccines" e "#SaynotoBillGates"? Atira coisas como a que atirou há dois meses de perguntar em plena conferência de Imprensa aos cientistas: "E se injetarmos desinfetante?" Só se choca com o que aconteceu nas horas seguintes - picos de intoxicações por desinfetante em vários estados - quem não perde uns minutos para pensar no que isto verdadeiramente representa. O peso do que o Presidente dos EUA diz é brutal. Tem consequências.

Quando o Presidente dos EUA tem um comportamento profundamente irresponsável do ponto de vista das mensagens básicas numa pandemia, isso tem consequências trágicas. É claro que, no dia seguinte, veio fazer o que faz sempre quando passa das marcas e depois percebe que está a perder o controlo da situação: disse que era a brincar e que estava a ser irónico. A eterna explicação de "era uma imagem", "estava a ser metafórico", tão usada por quem, depois disto tudo, ainda gosta de fazer o papel de idiota útil de desculpabilizar Trump. Quem veja as imagens e leia a transcrição da própria Casa Branca sabe que ele não estava "a ser irónico". Mas admitamos que até estivesse. Não há forma de interpretar essa "ironia", tendo em conta as consequências trágicas que já teve, que não seja a de que esse é um comportamento profundamente indecente. Porque permite que pessoas sem instrução e sem discernimento coloquem a sua vida em risco. É disto que estamos a falar.

2 - DEMISSÃO AMERICANA. O que é mais triste em tudo isto é que esta era a altura exata para que a boa influência do Presidente dos EUA surgisse como contrapeso à perda de prestígio da China na cena internacional. Sobretudo no plano em que mais nos identificamos, o da aliança atlântica. Que falta fazia, agora, o grande espaço transatlântico preconizado por Barack Obama no seu discurso do Estado da União de 2013 - e que nunca viria a sair do papel. Yuval Harari, filósofo e historiador israelita, assume a sua perplexidade pela falta de "adultos na sala" em Washington: "A América tinha tudo para assumir a sua liderança pelo exemplo, como fez no pós-crise 2008 ou no Ébola. Mas desta vez abdicou desse papel. O atual Presidente dos EUA prefere dizer "não quero ser um líder global, só me quero preocupar comigo". Mas sinceramente: olhando para a falta de qualidade da resposta dos EUA na sua própria casa, talvez não seja mau que não esteja a assumir responsabilidade global." Timothy Snyder, historiador americano e professor em Yale, grande conhecedor do Holocausto, recordou há dias que "contar mentiras consome tempo e neste momento consumir tempo fundamental para salvar vidas". E sobre Trump, é claro: "Temos um líder que acredita na bruxaria e não na ciência".

UMA INTERROGAÇÃO: Vai Joe Biden encontrar o vice-presidente certo para compensar o problema da idade excessiva e do rótulo (injusto) de ser "demasiado ao centro" para o core democrata?

UM ESTADO: Florida

Resultado em 2016: Trump 49,0%-Hillary 47,8%

Resultado em 2012: Obama 50,0%-Romney 49,1%

Resultado em 2008: Obama 51,0%-McCain 48,2%

Resultado em 2004: Bush 52,1%-Kerry 47,1%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 4 vitórias democratas, 8 republicanas)

- A Florida tem 21,5 milhões de habitantes: 53,2% brancos, 26,4% hispânicos, 16,9% negros, 3% asiáticos; 51,1% mulheres

29 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Florida -- Biden 51/Trump 46

(CNN 18-24 julho)

Até amanhã!

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