Aministia Internacional pede à Etiópia o fim da "força letal" após 16 mortos em protestos

Desde 9 de agosto, protestos a favor do estabelecimento de uma região federal autónoma para os wolaites levaram a confrontos com as forças de segurança.

A Amnistia Internacional apelou esta sexta-feira ao fim do uso da "força letal" pelo Governo etíope contra manifestantes e conduza uma investigação "imparcial" sobre a morte de, pelo menos, 16 pessoas durante os protestos étnicos em Wolaita.

"Não há justificação para o uso de força letal quando não é para proteger vidas", disse esta sexta-feira à agência espanhola de notícias Efe o diretor da Amnistia Internacional (AI) para a África Austral e Oriental, Deprose Muchena, numa referência aos incidentes que decorrem desde 9 de agosto último em Wolaita, a cerca de 300 km a sudoeste da capital etíope, Adis Abeba.

"Entre as 16 pessoas mortas havia uma criança sem-abrigo e uma mulher deficiente mental, nenhuma das quais estava envolvida nos protestos", disse Muchena, que instou o governo etíope a conduzir uma "investigação completa, eficaz e imparcial" sobre os acontecimentos, numa declaração divulgada pela Organização Não-Governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos.

Desde 9 de agosto, protestos a favor do estabelecimento de uma região federal autónoma para os wolaites, um dos 57 grupos étnicos que compõem a Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul (SNNPR), levaram a confrontos com as forças de segurança e à detenção dos seus principais líderes políticos.

Segundo várias testemunhas entrevistadas pela AI, a polícia e os soldados espancaram e abriram fogo sobre manifestantes e transeuntes, violência que resultou na morte de 16 pessoas - segundo fontes governamentais - e, pelo menos, 18 feridos, entretanto hospitalizados.

A Constituição etíope de 1995 estipula que o governo deve assegurar que qualquer grupo étnico que deseje formar a sua própria entidade possa realizar um referendo, algo que os wolaitas e uma dúzia de outros grupos étnicos no sul exigem há muito.

O impulso para uma maior autonomia regional ganhou novo ímpeto desde que o primeiro-ministro reformista e Prémio Nobel da Paz, Abiy Ahmed, tomou posse em abril de 2018, com promessas de liberalização do espaço democrático da Etiópia.

Em novembro de 2019, o grupo étnico Sidama - até então parte do SNNPR - deu a vitória expressiva em referendo, com 98,52% dos votos, à criação de uma nova região autónoma, um direito que os wolaitas também procuram exercer.

De acordo com algumas vozes críticas, a criação de um novo estado autónomo apenas aprofundará a luta pelo poder e a forte divisão étnica que já caracteriza a Etiópia, um país com mais de 100 milhões de habitantes.

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