Amnistia Internacional acusa Marrocos e UE de usarem migrantes em "jogo político"

A ONG apela aos líderes europeus para "não fecharem os olhos aos abusos que estão a ocorrer nas fronteiras" da Europa.

A Amnistia Internacional acusou Marrocos e a União Europeia (EU) de estarem a utilizar pessoas "como peões num jogo político", na sequência da chegada de milhares de migrantes marroquinos a Ceuta nos últimos dias.

"Marrocos está a brincar com as vidas das pessoas. Não podem utilizar pessoas, entre as quais os seus próprios cidadãos, como peões num jogo político", disse responsável pela Política Interna e investigadora da Amnistia Internacional Espanha, Virginia Álvarez, em comunicado divulgado durante a noite.

Contudo, a Amnistia Internacional também 'aponta o dedo' à União Europeia (UE) neste "jogo".

"Os líderes europeus foram rápidos a apoiar Espanha e a dizer que as fronteiras espanholas são fronteiras da UE. Pela mesma lógica, os abusos de Espanha são também abusos da União Europeia", criticou Virginia Álvarez.

A organização não-governamental (ONG) explicitou que não se pode "aceitar que pessoas, incluindo crianças, estejam a ser agredidas pelas forças [de segurança] espanholas", acrescentando que "abusos não podem ser tolerados".

Por isso, a Amnistia Internacional exortou "os líderes da UE a não fecharem os olhos aos abusos que estão a ocorrer nas fronteiras europeias".

A pressão migratória na fronteira de Ceuta com Marrocos diminuiu substancialmente, três dias depois da entrada sem precedentes de cerca de 8.600 imigrantes ilegais, cuja maior parte, cerca de 5.600, foram devolvidos a Marrocos.

A diminuição da tensão entre Espanha e Marrocos também diminuiu face à presença de unidades antimotim das forças de segurança marroquinas, que cumprem ordens de Rabat, que decidiu reativar o controlo fronteiriço.

Na terça-feira, o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, Josep Borrell, sublinhou ter chamado a atenção para a "dimensão europeia" dos incidentes por afetarem fronteiras externas da UE.

Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana de segunda-feira não tem precedentes.

A origem desta última crise entre Espanha e Marrocos está relacionada com a permanência em Madrid do secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, por motivos de saúde.

A Frente Polisário, considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.

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