Apontaram-lhes uma arma e andaram sempre com o mesmo cartaz. Chegaram de boleia ao Catar

Um grupo de quatro amigos arriscou pedir uma boleia em Lisboa e só parou no Catar. Pelo meio, depararam-se com vários episódios, alguns bem tensos, mas acabaram por chegar ao destino quase dois meses após a saída de Portugal.

PorAntónio Botelho, enviado especial da TSF ao Catar

Daniel, Francisco, Duarte e Bruno|

 foto António Botelho/TSF

Daniel, Francisco, Duarte e Bruno com o repórter da TSF António Botelho|

 foto António Botelho/TSF

Daniel, Francisco, Duarte e Bruno|

 foto António Botelho/TSF

Com uma mistura de entusiasmo e loucura, o Daniel, o Francisco, o Duarte e o Bruno fizeram-se à estrada rumo ao Catar. Uns são amigos de infância, outros conheceram-se na universidade. Têm um projeto em conjunto com um canal no YouTube onde vão divulgando vídeos de vários aventuras que vão tendo e, de repente, surgiu uma "ideia bastante maluca" de ir à boleia até ao Catar.

"Passámos por 15 países, fizemos mais de 8000 quilómetros à boleia e apanhámos mais de 70 boleias", atira um dos amigos. Deixaram Lisboa a 6 de outubro e chegaram ao Catar a 22 de novembro. São praticamente 50 dias, de boleia em boleia, até ao país que acolhe o Mundial. Pela aventura, mas também pela seleção portuguesa. Os jovens trazem um cartão com a palavra "Qatar" em caixa alta. É um papel com grande significado, porque foi este que os acompanhou desde Portugal até ao Médio Oriente. O pedaço de cartão é tão sagrado para estes amigos, que um autógrafo de Cristiano Ronaldo no objeto seria a cereja no topo do bolo. Vão tentar essa rubrica do capitão da seleção no dia a seguir ao jogo de Portugal com o Gana.

Ouça aqui a reportagem da TSF no Catar

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Uma viagem também tem os seus momentos críticos. A situação mais tensa aconteceu na fronteira entre a Bulgária e a Turquia, onde existe uma crise de refugiados e lá foram confundidos como tal: "Nós íamos dormir em casa de um senhor no meio do monte e estavam a conversar, à noite, entraram três homens a gritar - passaporte, passaporte, passaporte! - e nós ficámos sem saber o que fazer", relata Francisco.

Então e quando os carros que davam boleia não tinham espaço para pessoas? "Pedra, papel ou tesoura", dizem todos, em uníssono. Uns ficavam para trás, outros ganhavam uns quilómetros, mas depois acabavam por se encontrar mais à frente, num destino qualquer. Nem sempre arranjavam alojamento para ficar, algumas vezes tiveram que pernoitar na rua, mas as tendas que transportavam às costas, nas mochilas, serviam de "desenrasca" para algumas noites. Quanto aos valores económicos da viagem, cada um estava a apontar gastar 25€ por dia, no entanto, ainda não se sentaram à mesa a fazer contas.

A chegada ao Catar foi outra conversa. Um país tão rigoroso no controlo das fronteiras obrigou o Daniel, o Francisco, o Duarte e o Bruno a adquirirem em antecipação alojamento para pernoitarem algumas noites e também bilhetes para os jogos de Portugal, para assegurar uma justificação da entrada no país. Esta quinta-feira, estarão nas bancadas do estádio 974 a vibrar com a seleção das quinas.

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