Brasil de Bolsonaro: há dois anos "sem corrupção", família tradicional e "credibilidade restaurada"

Líder brasileiro não esqueceu as preocupações mundiais com a Amazónia e garantiu que o "futuro do emprego verde está no Brasil".

PorTSF com Lusa
© Timothy A. Clary/AFP

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, falou esta terça-feira de um país há mais de dois anos sem "casos concretos de corrupção" e que já viu a sua credibilidade "restaurada".

Na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o líder brasileiro começou por dizer que representa "um Brasil diferente do que surge nos jornais ou televisões".

"Durante dois anos e oito meses não tivemos casos concretos de corrupção", garantiu Jair Bolsonaro, que defendeu que o país estava "à beira do socialismo" quando tomou o poder. "Apresento-vos um novo Brasil cuja credibilidade já foi restaurada."

Bolsonaro, que citou investimentos já acordados no país com o setor privado em equipamentos como aeroportos e ferrovia, destacou também que em apenas alguns dias recebeu "14 pedidos de autorização de novas linhas de comboio", realça, o que diz ser um reflexo do caminho para "diminuir o consumo de combustíveis fósseis".

Sobre a Amazónia, Bolsonaro lembra que "equivale a toda a área da Europa Ocidental" e que o país quer atingir a "neutralidade carbónica em 2050".

"Tivemos uma redução de 32% do desmatamento em agosto" e em comparação com o mesmo mês do ano anterior e Bolsonaro garante que uma área "equivalente à Alemanha e França juntas" é destinada a povos indígenas. "O futuro do emprego verde está no Brasil", assinalou também.

Com a "família tradicional como fundamento da civilização" e uma nação e Presidente tementes de Deus, o líder brasileiro falou também sobre refugiados para explicar que o Brasil "sempre os recebeu". citando o exemplo dos 400 mil venezuelanos já acolhidos.

Depois da "surpresa de todos" com a pandemia em 2020, Bolsonaro alertou que os isolamentos deixaram "um legado de inflação" - elevando o preço dos alimentos - e garantiu que "até novembro, todos os que escolheram ser vacinados no Brasil serão atendidos", mas o Governo brasileiro opõe-se "ao passaporte de vacinação" e defende a autonomia médica e o uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada, dizendo não compreender "porque grande parte dos países e os media se colocaram contra o tratamento inicial" da doença.

"Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso 'off-label'[fora da bula]", afirmou Bolsonaro.

Ao citar o chamado "tratamento precoce" o chefe de Estado brasileiro referia-se ao uso de remédios contra a malária como cloroquina e a hidroxicloroquina, e outras substâncias como a azitromicina, que diz ter ingerido com sucesso quando foi infetado pelo novo coronavírus no ano passado, embora estudos e a comunidade científica global indiquem que são ineficazes contra o vírus SARS-CoV-2.

A viagem do Presidente brasileiro aos Estados Unidos da América para a Assembleia Geral da ONU começou no domingo e deste então tem gerado polémicas e protestos.

Bolsonaro precisou entrar por uma porta secundária do hotel onde está hospedado em Nova Iorque para evitar um protesto que reunia dezenas de pessoas no local no dia de sua chegada. Por afirmar que não tomou vacina contra a Covid-19, o chefe de Estado brasileiro não pode entrar em restaurantes e alguns estabelecimentos fechados em Nova Iorque que exigem comprovativo de vacinação e chegou a divulgar uma fotografia comendo uma pizza na rua. Na sua declaração na Assembleia Geral da ONU, o Presidente brasileiro criticou a exigência do certificado de imunização, alegando apoiar "a vacinação", mas o seu Governo "tem-se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada à vacina".

"Até ao momento, o Governo Federal [do Brasil] distribuiu mais de 260 milhões de doses de vacinas e mais de 140 milhões de brasileiros já receberam, pelo menos, a primeira dose, o que representa quase 90% da população adulta. Oitenta por cento da população indígena também já foi totalmente vacinada", declarou.

Bolsonaro também foi criticado publicamente pelo presidente da Câmara de Nova Iorque, Bill de Blasio, que numa conferência de imprensa na segunda-feira enviou "uma mensagem a todos os líderes mundiais" e "especialmente a Bolsonaro, do Brasil": "Se você pretende vir aqui, você precisa de estar vacinado. E se você não se quer vacinar, nem venha, porque todos devem estar seguros juntos".

Ao encontrar novamente um grupo de pessoas que protestavam contra o chefe de Estado brasileiro, o ministro da saúde do país, Marcelo Queiroga, foi filmado fazendo gestos obscenos para os manifestantes, causando uma nova polémica.

Dividida entre as sessões da manhã e da tarde, a 76.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas começou hoje e se prolonga até dia 27, subordinada ao tema "Construir Resiliência Através da Esperança - Recuperar da Covid-19, Reconstruir a Sustentabilidade, Responder às Necessidades do Planeta, Respeitar os Direitos das Pessoas e Revitalizar as Nações Unidas".

Entre os temas que aguardam entendimentos dos líderes e delegações de Estado estão as alterações climáticas, as migrações, a segurança à escala global e o combate ao terrorismo, sobre as quais deverão incidir a maioria das intervenções.

A Covid-19 provocou pelo menos 4.696.559 mortes em todo o mundo, entre mais de 229,01 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

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