Erupção de vulcão no Tonga foi a maior explosão atmosférica de sempre

Até janeiro de 2022, apenas a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883, tinha registado valores semelhantes aos da explosão do Hunga Tonga-Hunga Ha'apai.

PorClara Maria Oliveira com agências
© Agência Meteorológica de Tonga

A erupção do vulcão de Tonga, registada em janeiro deste ano, foi confirmada como a maior explosão de sempre registada na atmosfera desde o início das medições com instrumentos modernos, segundo a BBC.

O estudo, realizado pela revista Science, estima que o impacto da explosão foi maior do que qualquer evento vulcânico do século XXI ou de testes com bombas atómicas feitos após a II Guerra Mundial. Até ao momento, apenas a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883, tinha registado valores semelhantes.

Ao contrário do ocorrido na Indonésia, onde cerca de 30 mil pessoas morreram, o evento climático no vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai resultou em poucas mortes, mas causou vários tsunamis.

A explosão, que teve como epicentro o Tonga, após várias semanas de atividade submarina, produziu várias ondas de pressão atmosférica que se propagaram em vários locais do globo. Na gama de frequências audíveis, houve relatos de pessoas a 10 mil quilómetros de distância, no Alasca, que dizem ter sentido e ouvido explosões.

A rede global de detetores, criada para monitorizar o cumprimento do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares, captou sinais de infrassom durante a explosão, com frequências imediatamente abaixo do que os humanos são capazes de ouvir.

Os dados da rede indicavam que a explosão do vulcão Tonga produziu uma onda de pressão atmosférica comparável à da maior explosão nuclear de sempre - a bomba czar, detonada pelos soviéticos em 1961 - mas durou quatro vezes mais tempo.

Várias publicações ainda discutem as reais perturbações provocadas pelas Ondas de Lamb, cujo nome tem origem no matemático Horace Lamb, do início do século XX - são ondas energéticas que se propagam à velocidade do som, ao longo de um caminho guiado pela superfície do planeta. São também não dispersivas ou, por outras palavras, são ondas que mantêm a forma à medida que se movem e, por isso, são notórias durante muito tempo.

As Ondas de Lamb produzidas pela erupção de Tonga foram observadas a circular pela Terra pelo menos quatro vezes e, por exemplo, no Reino Unido, a cerca de 16.500 quilómetros de Tonga, os efeitos começaram a chegar na noite do dia 15 de janeiro de 2022, cerca de 14 horas após a erupção climática do outro lado do planeta e criou nebulosidade no céu britânico.

Vários cientistas continuam a investigar os tsunamis na região, que fizeram subir as linhas costeiras no arquipélago de Tonga. Apesar de se acreditar que alguns foram causados por ondas de pressão debaixo de água, ainda estão em curso investigações para determinar se o colapso de parte do vulcão também teve um contributo significativo.

Relacionados

Veja Também

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG