Josep Borrell afirma que UE precisa de migrantes mas o fluxo deve ser regulado

O alto representante da UE alertou que o fluxo migratório "deve ser regulado" para não permitir que as pessoas "se tornem numa arma".

PorLusa
© John Thys/AFP

A União Europeia (UE) "precisa de migrantes", ainda que alguns Estados discordem, mas o fluxo migratório "deve ser regulado" para não permitir que as pessoas "se tornem numa arma", alertou o alto representante comunitário para os Assuntos Europeus.

"A imigração é um grande problema com muitas faces, que deve ser regulamentado, não deve haver a perceção de um fluxo descontrolado onde alguns lucram, outros arriscam as suas vidas e muitas vezes são enganados: a Europa vive um inverno demográfico, são precisas pessoas de fora, mas para administrar isso falta uma política comum de imigração e asilo", disse Josep Borrell.

O responsável, que falava no fórum internacional sobre o Mediterrâneo organizado pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália, adiantou ainda que, até agora - e "lamentando [ter de o] dizer" -, os Estados-membros da UE "não concordaram e as propostas da comissão não foram aceites".

Borrell insistiu que é necessária "uma forma de gerir a imigração, porque cada país defende as suas próprias fronteiras, mas também as da UE; porque nem todos são requerentes de asilo, a situação deve ser estudada para lidar com os casos de forma diferente".

"O problema da imigração é agravado por situações como a da Bielorrússia, que tem chamado pessoas de todo o mundo com falsas promessas. Não podemos permitir isso, não podemos permitir que as pessoas se tornem uma arma", afirmou.

No seu discurso, Borrell também se referiu à situação na Líbia, sobre a qual destacou a necessidade de realização de eleições apesar das dificuldades.

"Não é uma varinha mágica, mas traz legitimidade", disse, avançando que a União Europeia "está pronta para enviar observadores".

Sobre a Síria, o responsável comparou a situação com a do Afeganistão: "Prestamos ajuda humanitária aos sírios, mas isso não significa que vamos reconhecer [Bashar al] Assad; o mesmo vale para os afegãos, damos ajuda, mas não é um reconhecimento dos talibãs, porque vencer a guerra não é suficiente para ser reconhecido politicamente".

Já sobre o Irão, Borrell garantiu que a UE está a trabalhar para "tentar salvar o acordo nuclear", que "também é um acordo económico" do qual o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump se retirou, "sem ter em conta as consequências, e até então o Irão tinha respeitado". "Se agora queremos que volte (...) temos de dar algo em troca".

"Os negociadores prometeram voltar a Viena na próxima semana. Vamos voltar à mesa e ver os números reais que as agências de energia fornecem", disse falando sobre o enriquecimento de urânio iraniano.

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