NATO reforça forças "até ao próximo ano". Stoltenberg classifica Rússia como "ameaça direta"

À entrada para a Cimeira da NATO, que decorre em Madrid, Jens Stoltenberg explicou que as forças de reação rápida vão ser "pagas e organizadas pelos diferentes Aliados NATO e ficarão baseadas nos seus países de origem mas vão ser atribuídas previamente a países e territórios específicos".

PorLusa/TSF
© Javier Soriano/AFP

As forças de reação rápida da NATO, que irão aumentar dos atuais 40 mil para 300 mil, estarão "prontas até ao próximo ano" e serão atribuídas a países do leste da Europa, anunciou esta quarta-feira o secretário-geral da Aliança.

"No que se refere às forças de reação rápida, acho que estarão prontas até ao próximo ano. Iremos tomar a decisão agora, e depois vamos começar a implementação, e depois vão estar disponíveis e prontas no próximo ano, esse é que é o plano", afirmou Jens Stoltenberg, sublinhando que "a Rússia representa uma ameaça direta à segurança da NATO".

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) falava aos jornalistas à entrada para o Parque de Exposições de Madrid, no nordeste da capital espanhola, onde decorre a cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica.

Jens Stoltenberg afirmou que as forças em questão vão ser "pagas e organizadas pelos diferentes Aliados NATO, ficarão baseadas nos seus países de origem mas vão ser atribuídas previamente a países e territórios específicos, para serem responsáveis pela proteção desses territórios".

O secretário-geral da Aliança exemplificou com o caso alemão, que destacou uma "força específica para a proteção da Lituânia", e afirmou que o leste da Europa será o principal terreno para o qual as forças de reação rápida serão atribuídas.

"Irão treinar aí, irão aprender a operar em conjunto com as forças de defesa desses países e também iremos preposicionar equipamento, [como] equipamento pesado, reservas de combustível e muitas outras coisas de que irão precisar para poderem operar naquele território específico", sublinhou.

Segundo Jens Stoltenberg, o posicionamento de equipamento nos territórios em questão, assim como o aumento das forças de reação rápida e "dos grupos de combate" de que a Aliança já dispõe são o "elemento mais importante" da estratégia terrestre da Aliança para "fortalecer a dissuasão e defesa" no "novo ambiente de segurança".

O secretário-geral da NATO reiterou que a cimeira de Madrid, marcada pela guerra na Ucrânia, na sequência da invasão russa de 24 de fevereiro, vai ser "histórica e transformadora" para a aliança militar de países da Europa e da América do Norte.

"Reunimo-nos no meio da mais grave crise de segurança que temos desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou, congratulando-se por os países aliados na NATO estarem a mostrar "unidade e força" na resposta.

Jens Stoltenbreg lembrou que a NATO vai em Madrid adotar um novo Conceito Estratégico, que define as orientações da Aliança para a próxima década, e vai refletir o contexto atual, "um mundo mais perigoso e competitivo", muito diferente de 2010, quando foi aprovado o documento anterior.

O Conceito Estratégico aprovado em 2010 foi adotado na cimeira de Lisboa definiu uma aproximação à Rússia, que foi então considerada um parceiro estratégico da Aliança Atlântica.

O Presidente russo de então, Dmitri Medvedev, esteve mesmo em Lisboa, para participar na cimeira da NATO de 2010.

Já o Conceito Estratégico que será aprovado em Madrid deve definir a Rússia como a maior e mais direta ameaça aos países da NATO, como tem dito Stoltenberg nos últimos dias.

A cimeira de Madrid arranca hoje oficialmente, mas na terça-feira, em reuniões paralelas e prévias, foi já alcançado o primeiro acordo que vai marcar o encontro e com o qual a Turquia retirou o seu veto à adesão da Finlândia e da Suécia à NATO.

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* Notícia atualizada às 08h33

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