Portugueses na Ucrânia: "Sabemos quem são e onde estão." Viagens continuam a ser desaconselhadas

Augusto Santos Silva revela que UE está pronta para evitar resposta pesada, mas o objetivo continua a ser evitar um conflito armado.

PorGuilherme de Sousa com Lusa
© AFP

No final da reunião do Conselho Europeu, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, revelou que o Governo sabe quantos são os portugueses que nesta altura estão na Ucrânia.

Numa altura em que cresce a tensão entre a União Europeia e a Rússia, face a uma possível incursão russa em território ucraniano, Augusto Santos Silva, garantiu que os portugueses ou os luso-ucranianos estão identificados.

"Temos todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa, portugueses ou luso-ucranianos, recenseados, mapeados, sabemos quem são e onde estão e a nossa embaixada está em contacto com eles. Destes, só um número muito residual, cerca de uma dezena, vivem no leste da Ucrânia, designadamente na região do Donbass", confirmou o governante.

Por outro lado, o ministro explicou também que, no que diz respeito às viagens para a Ucrânia, estas continuam a ser desaconselhadas. "Desde 2014 que Portugal desaconselha viagens a qualquer título para a região do Donbass e portanto mantemos esse desaconselhamento que continua tão válido hoje como era em 2014. Provavelmente, mais válido hoje do que era em 2018 ou 2017", assegurou.

"Quanto às viagens para a Ucrânia, nós temos também desaconselhado as viagens desde que a pandemia irrompeu nas nossas vidas por razões de ordem sanitária", acrescentou.

UE pronta para responder, mas o objetivo é evitar conflito armado

"O nosso objetivo é muito simples: evitar um conflito armado no Leste da Europa, evitar um conflito armado na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia. Estamos longe de considerar que esteja esgotada a via política e diplomática. Pelo contrário, está em curso e deve ser prosseguida", declarou Santos Silva, em declarações aos jornalistas após uma reunião dos chefes de diplomacia da União Europeia, em Bruxelas.

Dominada pela situação de segurança no Leste da Europa, a relação com Ucrânia, "de apoio", e com a Rússia, "a evoluir negativamente desde 2014", a reunião dos 27 contou também com a participação, por videoconferência, do secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, "muito importante para coordenar posições" e que "revelou bastante bem" a convergência de pontos de vista entre União Europeia e Estados Unidos, apontou o ministro.

Recordando os princípios da inviolabilidade das fronteiras, a soberania e a integridade territorial dos Estados, interdição do recurso à força, assim como o direito soberano de cada Estado escolher as suas próprias alianças e os seus próprios parceiros, o chefe da diplomacia portuguesa reiterou que "qualquer violação, por parte da Rússia, da soberania e da integridade territorial da Ucrânia terá uma consequência pesada, porque motivará uma resposta, no caso da UE uma resposta muito pesada em termos políticos e económicos".

"E nós estamos preparados para essa resposta caso seja necessária", disse, reafirmando, todavia, que o grande objetivo de todos é "evitar qualquer agressão" e desse modo uma "crise grave de segurança na Europa", pelo que é necessário trabalhar nos canais político e diplomáticos, mas também reforçando a capacidade de dissuasão.

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