Preço do gás pode levar a prateleiras vazias nos supermercados do Reino Unido

Também no mercado de consumo doméstico já se sente disparo nos preços do gás. Governo britânico garante que, mesmo que empresas energéticas vão à falência, não haverá cortes de energia.

PorTSF com Lusa
© Justin Talis/AFP

As indústrias de alimentos e os supermercados do Reino Unido estão a manifestar preocupação com a possível falta de gás natural, usado no abate de animais, nos sistemas de refrigeração e embalagem de alimentos ou no fabrico de bebidas com gás, como refrigerantes e cerveja.

De acordo com a Associação de Processadores de Carne Britânicos, a falta de disponibilidade de gás, dado o elevado preço no mercado, pode levar à escassez de comida dentro de duas semanas, quando o stock de gás acabar.

Este gás é usado para atordoar animais para abate e também para embalar e estender o prazo de validade de bens frescos e produtos de pastelaria, assim como para a produção de bebidas gaseificadas.

Na última semana, o grupo de fertilizantes CF Industries, o maior fornecedor de dióxido de carbono (CO2) do Reino Unido, anunciou que iria interromper a produção por tempo indeterminado devido aos altos preços do gás natural.

Outros setores, como a saúde e a energia nuclear, também dependem do uso de dióxido de carbono.

O ministro da Economia britânico, Kwasi Kwarteng, admitiu, esta segunda-feira, que mais empresas fornecedoras de energia irão falir nas próximas semanas por causa do aumento do preço do gás, mas garantiu que não haverá cortes no serviço às habitações.

"Proteger consumidores é a nossa principal preocupação", afirmou, numa declaração de emergência na Câmara dos Comuns, no Parlamento, para atualizar os deputados sobre a situação.

Kwarteng garantiu que o Reino Unido tem "mais do que capacidade para responder à procura" e que "não vai faltar energia para acender as luzes ou o aquecimento este inverno".

"Obviamente, a situação mundial do gás teve um impacto em alguns dos nossos fornecedores de energia. Já vimos quatro fornecedores sair do mercado nas últimas semanas e podemos esperar mais companhias saírem do mercado nas próximas semanas", referiu.

O mercado de energia britânico é bastante competitivo, com cerca de 50 empresas registadas como fornecedores.

Algumas empresas mais pequenas estão em dificuldades porque os preços do gás subiram para níveis recordes, muito mais elevados do que o valor definido pelo Governo britânico como teto para proteger os consumidores mais vulneráveis de tarifas demasiado altas.

Entre as que estão em risco de não sobreviver está a Bulb, que distribui energia a 1,7 milhão de clientes no Reino Unido.

Os preços do gás natural dispararam cerca de 250% desde o início do ano no Reino Unido, 70% desde agosto, de acordo com a Oil & Gas UK (OGUK), que representa a indústria 'offshore' de petróleo e gás.

Isto determinou um aumento de 12% nos preços do gás para os consumidores com tarifas variáveis, previsto para entrar em vigor a 1 de outubro.

Nos últimos dois dias, o ministro da Economia reuniu-se com fornecedoras de energia e com o regulador, Ofgem, para discutir a situação, e garantiu que o Governo tem "planos robustos" para evitar que os consumidores não sofram cortes de gás no outono.

Algumas empresas sugeriram como medidas o fim dos tetos às tarifas, a remoção de alguns impostos associados ou empréstimos garantidos pelo Governo, mas Kwarteng recusou.

"O Governo não vai salvar empresas insolventes. Não haverá recompensa para erros ou má administração. O contribuinte não deve ter de pagar [para salvar] empresas com maus modelos de negócio e que não são resilientes", vincou.

O deputado do Partido Trabalhista, Ed Miliband, concordou que deve evitar-se alarmismo quanto à segurança energética do país, mas alertou para o risco de "complacência com o impacto nos preços e na situação económica".

O deputado da oposição referia-se às consequências do aumento dos preços do gás, que já estão a alastrar para além do mercado de energia.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG