Rússia anuncia 12 bases militares na fronteira ocidental em resposta a reforço da NATO

Os russos justificam a criação das bases com o pedido de adesão à NATO da Finlândia e da Suécia.

PorLusa/TSF
© Maxim Shipenkov/EPA

A Rússia vai criar 12 bases militares na sua fronteira ocidental até ao final do ano para responder ao reforço da NATO com a potencial integração da Finlândia e da Suécia, anunciou esta sexta-feira o ministro da Defesa, Serguei Shoigu.

"Os nossos vizinhos mais próximos, a Finlândia e a Suécia, solicitaram a adesão à NATO. Portanto, a tensão continua a crescer na área de responsabilidade do distrito militar ocidental", afirmou Shoigu, numa reunião do Ministério da Defesa russo transmitida na televisão pública.

"Estamos a tomar as devidas contramedidas. Para isso, estamos a melhorar ativamente a composição de combate das tropas. Até ao final do ano, serão formadas 12 unidades e subunidades militares no distrito militar ocidental", explicou.

O ministro da Defesa russo indicou que, ainda este ano, as tropas russas também irão receber mais de duas mil armas modernas e equipamentos militares.

De acordo com Shoigu, a situação no flanco estratégico ocidental apresenta, no contexto geral, "um aumento das ameaças militares perto das fronteiras russas", particularmente pela intensidade dos voos da aviação estratégica dos Estados Unidos na Europa, que se multiplicou por 15 - de três para 45 por ano - e pelas visitas de navios norte-americanos com mísseis guiados, que se tornaram sistemáticas no Mar Báltico.

O ministro referiu ainda que, só este ano, entraram seis vezes no enclave russo báltico de Kaliningrado (estrategicamente localizado entre a Polónia, a Lituânia e o mar Báltico), zonas de potenciais lançamentos de mísseis de cruzeiro, navios norte-americanos com armas guiadas.

Desde 2016, o sistema de controlo detetou 24 "ações deste tipo", acrescentou o representante.

Segundo Shoigu, os Estados Unidos e a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) estão também a aumentar a escala de combate dos treinos operacionais perto das fronteiras da Rússia.

Por seu lado, o Exército russo aumentou em 25% o nível de instrução das unidades distritais no inverno passado face ao ano anterior e irá receber, tal como a Marinha, drones (aparelhos aéreos não tripulados) estratégicos a curto prazo.

Segundo Moscovo, os drones têm sido ativamente usados para tratar de uma grande variedade de tarefas, pelo que o número de voos é agora sete vezes mais frequente do que era há dez anos.

Na campanha militar na Ucrânia iniciada em 24 de fevereiro, explicou o ministro da Defesa, os 'drones' russos realizaram mais de 25 mil horas de voo, sendo usados para tarefas de reconhecimento aéreo e, em áreas urbanas densas, para ataques cirúrgicos seletivos.

O ministro da Defesa russo aproveitou ainda o seu discurso para garantir que a conquista da região ucraniana de Lugansk (leste) está quase completa e que 1908 soldados ucranianos entrincheirados na fábrica siderúrgica de Azovstal, em Mariupol, se renderam até ao momento.

"Unidades das forças armadas russas, juntamente com divisões das milícias populares das repúblicas de Lugansk e Donetsk, continuam a aumentar o controlo sobre os territórios do Donbass. A libertação da república popular de Lugansk está quase completa", concluiu.

A Finlândia e a Suécia apresentaram, esta semana, um pedido formal de adesão à NATO, pondo termo à posição histórica dos dois países nórdicos de neutralidade e de não-alinhamento.

A questão da adesão à NATO foi suscitada em Estocolmo e em Helsínquia pelo agravamento da situação de segurança causada pela guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão russa.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 86.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas - cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,3 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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