Taiwan inicia exercício militar com uso de fogo real a simular ataque da China

O Exército chinês anunciou que vai prolongar pelo sexto dia consecutivo os exercícios militares e Taiwan iniciou exercícios militares de defesa da ilha contra um possível ataque chinês.

PorLusa/TSF
© Sam Yeh/AFP

As forças armadas de Taiwan iniciaram esta terça-feira um exercício de artilharia com uso de fogo real a simular a defesa da ilha contra um ataque da China.

Após o exercício militar desta terça-feira, está previsto um outro para quinta-feira.

O exército de Taiwan disse na segunda-feira que os exercícios já estavam programados e não constituíam uma resposta aos exercícios chineses em curso.

Isto depois de o Exército chinês ter anunciado que vai prolongar pelo sexto dia consecutivo os exercícios militares que está a realizar em redor de Taiwan, como retaliação pela visita à ilha da líder do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi.

O jornalista David Alvito explica o que está em causa

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Em comunicado, o Exército de Libertação Popular indicou que "vai continuar a organizar manobras conjuntas, orientadas para o combate pelas vias marítima e aérea", que se vão focar esta terça-feira em "operações de contenção e segurança conjunta".

As manobras que Pequim iniciou na quinta-feira incluíram o uso de fogo real e o lançamento de mísseis de longo alcance, e foram descritas pelo governo de Taiwan como "irresponsáveis", além de suscitarem preocupação na comunidade internacional.

As manobras militares em torno de Taiwan são uma resposta a uma visita da líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a mais importante figura política norte-americana a visitar a ilha em 25 anos, que a China descreveu como uma "traição deplorável".

Já a ilha realiza regularmente exercícios militares a simular uma invasão chinesa e no mês passado efetuou manobras do mar, num cenário em que procurava repelir ataques numa "operação de interceção conjunta", como parte dos seus grandes exercícios anuais.

Em declarações à TSF, Luís Tomé, professor catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa, defende que a resposta de Taiwan aos exercícios chineses representam uma escalada nas difíceis relações entre Taipé e Pequim.

O especialista vê nesta situação uma espécie de barril de pólvora, numa região particularmente complicada do mundo.

"Aquela região é a mais turbulenta, instável e arriscada para a segurança internacional, porque não há nenhum país residente que tenha fronteiras definidas, uma vez que têm disputas com todos os países vizinhos, desde o Paquistão, Índia, China múltiplas, Japão, Coreias ou Rússia. Os EUA têm sido, em larga medida, um equilibrador, facilitando boas relações e interdependências entre atores rivais regionais e que têm disputas territoriais, mas como todos temos visto, há uma série de anos que os EUA vêm em crescendo de tensão e de competição com a República Popular da China e a questão de Taiwan é a mais sensível, porque é, talvez, o chamado "hot spot" que pode levar ao confronto militar entre as duas partes", explica.

Ouça as declarações de Luís Tomé à TSF

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Luís Tomé admite que qualquer pequeno detalhe pode significar um problema mais grave.

"Muito provavelmente, não haverá intenção nem da China nem de Taiwan de se atacarem, mas um acidente com tantos dispositivos militares pode aumentar a tensão e a escalada para o nível do confronto militar. Isto não é a primeira vez que acontece. Ainda no mês passado, Taiwan também fez exercícios militares. Num contexto em que se fazem estes exercícios, a leitura só pode ser de escalada e predisposição para resistir à fação", considera.

Luís Tomé admite que os exercícios militares de Taiwan podem desencadear um problema mais grave

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China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e ameaça usar a força caso a ilha declare independência.

Notícia atualizada às 12h10

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