"Um continente unido." Comunidade Política Europeia condena agressão à Ucrânia

Emmanuel Macron nomeou pontos de "convergência" em áreas-chave, como a proteção de "infraestruturas essenciais".

PorJoão Francisco Guerreiro, correspondente em Bruxelas
© Filip Singer/EPA

O presidente Francês, Emmanuel Macron considerou, na noite desta quinta-feira, que a Comunidade Política Europeia enviou uma mensagem de "unidade" perante a agressão russa à Ucrânia.

"Mostrámos a unidade de 44 países europeus, que afirmaram muito claramente a sua condenação da agressão russa e o apoio à Ucrânia", afirmou Emmanuel Macron, considerando que "isso tem muito valor, porque por vezes há dúvidas sobre a divisão da Europa".

"Demos uma mensagem de unidade todos juntos", considerou Macron no dia quem que os líderes de todo o continente europeu estiveram reunidos em Praga, naquela que foi a cimeira de lançamento da Comunidade Política Europeia.

Esta nova "plataforma informal" reúne além dos membros da União Europeia outros 17 países, entre os quais a Ucrânia ou a Turquia, bem como todos os países dos Balcãs, a Islândia. Mas também o Azerbaijão e a Arménia, que tiveram ainda um encontro bilateral, depois de a tensão nas fronteiras dos dois países se ter agravado, nas últimas semanas.

Todos estiveram sentados à mesma mesa, num encontro informal, para debaterem temas de interesses comum e transmitirem uma mensagem de unidade no espaço geopolítico europeu.

No final, o presidente francês, que foi o promotor da iniciativa, falou em pontos de convergência entre todos, afirmando que o objetivo da Comunidade Política Europeia é garantir a segurança, a estabilidade e a prosperidade dos países de todo o continente europeu.

O presidente francês, Emmanuel Macron diz que os 44 encontraram pontos de "convergência em áreas-chave", como, por exemplo "a proteção das infraestruturas essenciais".

"Temos infraestruturas que nos tornam vulneráveis. Infraestruturas essenciais como os gasodutos, os cabos, [ou] os satélites. Precisamos de uma estratégia europeia para as protegermos. É uma política em alguns aspetos comum, que não pertence à União Europeia, mas a todos os Estados-Soberanos que estiveram à volta da mesa", defendeu, apontando ainda "outro ponto comum" que se prende com a particularidade de praticamente todos os países europeus terem sofrido ciberataques.

"Uns do Irão: a Albânia, há algumas semanas. Outros da Rússia: vários países do Báltico. E, creio que posso dizer, muitos de nós nos últimos anos. Por isso, termos uma estratégia comum, intergovernamental, sobre a luta contra a cibercriminalidade, mas também sobre a propaganda e de desinformação é um elemento muito útil sobre o qual nós queremos avançar", disse.

Macron revelou que todos estiveram de acordo em apoiar a Ucrânia, "neste formato [de 44 países]", defendendo que "nós europeus devemos contribuir a um fundo de resiliência para a Ucrânia, paras as forças armadas e sociedade civil, no pós-guerra".

O presidente francês falou ainda numa estratégia coordenada para a energia, em todo o continente, apontando o facto de o Azerbaijão e a Noruega serem produtores de gás, e poderem contribuir para a "independência" energética do continente.

No âmbito da política educativa, Macron revelou uma das "ideias" que esteve em debate, que parece inspirar-se no programa Erasmus, "para os jovens de [todo o] continente".

"Precisamos de reforçar a cooperação entre as nossas Universidades, entre as nossas políticas educativas, para permitirmos aos nossos jovens de ter uma cultura europeia para lá das fronteiras", defendeu.

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