Anders Breivik diz que já não é um risco e pede liberdade condicional

O homem responsável pelo maior massacre em tempo de paz na Noruega apresentou-se, esta tarde, no tribunal, provocador e decidido a divulgar ideais que defende.

Em julho de 2011, depois de meses de preparação, Breivik colocou um carro bomba junto à sede do governo em Oslo. O atentado causou oito mortos. Depois seguiu para a ilha de Utoya, onde o partido trabalhista organizava um acampamento de juventude, matou 69 pessoas, a maioria jovens.

Apesar da gravidade dos crimes porque foi condenado a lei norueguesa dá-lhe possibilidade de pedir a liberdade condicional depois de uma década na cadeia. Breivik foi, em 2012, condenado à pena máxima de 21 anos, mas foi acionada uma cláusula raramente usada pela justiça norueguesa, que permite prolongar a pena até as autoridades acreditarem que ele não é um risco para a sociedade.

Esta tarde mal entrou no ginásio da cadeia, transformado em sala de audiências, fez a saudação nazi e apresentou uma folha A4 onde tinha escrito a frase: "Parem o vosso genocídio contra os nossos países brancos." Dirigindo-se ao tribunal, o norueguês de 42 anos, apresentou-se como candidato ao parlamento e líder de um partido neonazi.

Ele defendeu que não pode ser responsabilizado pelos crimes, de 2011, porque foi alvo de uma lavagem ao cérebro, feita por extremistas, que o pressionaram a criar um novo terceiro Reich. Apesar disso, na intervenção de quase uma hora, garantiu que já não é um perigo porque pôs um ponto final na ação militar.

Breivik comprometeu-se, no caso de ser libertado, a ir viver para o Ártico ou para um país não ocidental.

Desde que está na cadeia o norueguês tem tentado apresentar-se como um líder da extrema-direita europeia. Tentou entrar em contacto com extremistas na Europa e nos Estados Unidos, mas os serviços prisionais têm confiscado as cartas temendo que ele inspire outros a realizarem atentados.

A psicóloga, que o acompanha desde que foi detido, afirma que ele nunca se arrependeu do que fez e acha que agiu de forma legitima. Ao longo de dez anos ela não observou qualquer evolução na atitude do neonazi.

Na primeira intervenção, na audiência, a procuradora responsável por este caso avisou que o que está em causa não são as condições de detenção de Breivik, mas o perigo de uma libertação antecipada. Hulda Karlsdottir leu depois os nomes das 77 vítimas e explicou como foram assassinadas. Breivik tentou interrompê-la para dizer que a maioria ocupava cargos de liderança no partido trabalhista, mas foi travado por um juiz.

Há dez anos que Breivik luta em tribunal contra as condições da cadeia. Ele já perdeu casos, na Noruega e no tribunal europeu dos direitos do homem, em que alegou que a cela onde vive, que tem três quartos, jogos de computador, leitor de DVD, máquina de escrever e equipamentos de ginástica, viola os seus direitos.

Na Noruega, ninguém acredita que o pedido do extremista seja aceite pela justiça, mas tanto os analistas, como os familiares das vítimas e os sobreviventes temem que ele volte a usar as audiências como plataforma para divulgar os ideais nazis e extremistas que defende. Na primeira audiência foi isso que aconteceu.

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