Apesar da ofensiva na Síria, UE quer apoiar os refugiados na Turquia

Após o ataque protagonizado pela Turquia na Síria, a União Europeia continua a defender o acordo de ajuda aos refugiados firmado entre a União Europeia e a Turquia.

A chefe da diplomacia europeia em funções, Federica Mogherini, defendeu esta quinta-feira a validade e a continuidade do acordo de ajuda aos refugiados firmado entre a União Europeia e a Turquia, apesar da ofensiva turca em curso na Síria.

Em Barcelona, após uma reunião do Fórum Regional da União para o Mediterrâneo, a Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa e de Segurança afirmou que seria um erro vincular as ajudas comunitárias atribuídas a agências de apoio aos refugiados às ofensivas militares do Governo do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no nordeste da Síria, que têm sido condenadas pelos Estados-membros do bloco europeu.

"Cometeríamos um erro se questionássemos o financiamento da UE às atividades humanitárias com os refugiados sírios ao relacioná-las com a ofensiva turca", disse Federica Mogherini, defendendo que os refugiados não podem ser "duplamente vítimas".

A chefe da diplomacia europeia em funções precisou que as verbas concedidas pela UE não passam pelos canais governamentais turcos.

Mogherini reiterou ainda a posição acordada pelos 28 Estados-membros de defesa de uma solução política para o conflito sírio e de um cessar-fogo imediato.

A Alta Representante em funções corroborou ainda as declarações do Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que advertiu, na quarta-feira, que nenhum financiamento europeu será concedido ao plano turco de criar "uma zona de segurança" no território sírio.

Segundo o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a operação militar que arrancou na quarta-feira no nordeste da Síria visa a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), apoiada pelos países ocidentais, mas considerada terrorista por Ancara, e o grupo extremista Estado Islâmico.

Também pretende estabelecer uma "zona de segurança" naquela região.

A ofensiva turca surge após o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, no domingo, de que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar a zona em causa.

Estados Unidos e Turquia acordaram em agosto último criar uma "zona de segurança", separando a fronteira turca de territórios no norte sírio controlados pelos curdos, mas, perante aquilo que os turcos consideraram ser a inação de Washington, as autoridades de Ancara ameaçaram concretizar o plano sozinhas.

A Turquia acolhe atualmente cerca de 3,6 milhões de refugiados, a grande maioria oriundos da Síria.

No início de setembro, Erdogan ameaçou "abrir as portas" aos migrantes em direção aos países da UE, caso Ancara não receba mais ajuda internacional.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de