Aprovada comissão para investigar ataque ao Capitólio nos EUA

A legislação, agora sujeita a aprovação do Senado, prevê a criação de uma comissão independente que, até final do ano, fará recomendações para o reforço da segurança do Capitólio.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votou, esta quarta-feira, a criação de uma comissão independente sobre a insurreição de 6 de janeiro no Capitólio e enviou a legislação para o Senado, perante oposição dos republicanos.

Os democratas dizem que uma investigação independente é crucial para se saber o que aconteceu em janeiro, quando uma multidão violenta de apoiantes do ex-presidente norte-americano Donald Trump invadiu o Capitólio para tentar impedir a confirmação da vitória do Presidente Joe Biden.

Aprovada na Câmara por 252 votos a favor e 175 contra, a legislação agora sujeita a aprovação do Senado prevê a criação de uma comissão independente de 10 membros que, até final do ano, faria recomendações para reforçar a segurança do Capitólio e evitar outra insurreição.

O líder republicano do Senado, Mitch McConnell, disse na quarta-feira de manhã que vai opor-se à legislação, juntando-se ao líder do Partido Republicano da Câmara, Kevin McCarthy, que na terça-feira se manifestou contra.

Ambos afirmaram que o projeto de lei era partidário, embora a participação na comissão proposta fosse dividida uniformemente entre os partidos.

A insurreição de janeiro tornou-se um tema cada vez mais contencioso para os republicanos, com um número crescente no partido a minimizar a gravidade do pior ataque contra o Capitólio em mais de 200 anos e a maioria a votar contra a formação da comissão.

Entre os republicanos que apoiaram a criação desta comissão, John Katko, o principal republicano da Comissão de Segurança Interna da Câmara, que negociou a legislação com os democratas defendeu que o que está em causa são "factos e não política partidária".

"O povo americano e a polícia do Capitólio merecem respostas e ação o mais depressa possível para assegurar que nada como isto volta a acontecer", acrescentou.

Os congressistas democratas rejeitaram a sugestão de alguns republicanos de que a comissão se destinava apenas a difamar Donald Trump.

Vários democratas partilharam as suas próprias memórias da insurreição, quando os amotinados espancaram brutalmente a polícia, entraram pelas janelas e portas e mandaram os legisladores fugir.

Quatro dos desordeiros morreram, incluindo uma mulher que foi baleada e morta pela polícia. Um agente da polícia do Capitólio desmaiou e morreu após se ter envolvido com os manifestantes e dois agentes suicidaram-se nos dias seguintes.

"Tivemos pessoas a escalar o Capitólio, atingindo a polícia do Capitólio com canos de chumbo e não conseguimos obter o bipartidarismo? Que mais tem de acontecer neste país?", exclamou o republicano Tim Ryan, mesmo antes da votação.

Para Tim Ryan, a oposição do Partido Republicano é "uma bofetada na cara de todos os polícias dos Estados Unidos".

A votação foi mais um teste à lealdade republicana a Trump, que na terça-feira divulgou uma declaração exortando os republicanos a oporem-se à comissão, que chamou de "armadilha democrata".

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