Argélia vai a votos em clima de contestação

Esta quinta-feira, o país procura o sucessor de Abdelaziz Bouteflika que se demitiu em abril. A oposição boicota as eleições dizendo que os candidatos são todos do regime

Há nove meses os argelinos começaram a sair à rua para protestarem contra o facto de o presidente se candidatar a um quinto mandato consecutivo. Os protestos obrigaram o antigo presidente, de 82 anos, a voltar atrás, mas ao mesmo tempo, Bouteflika adiou as eleições e acabou por perder o apoio dos militares, que são a força mais poderosa do pais. As mudanças, no entanto, não foram suficientes para a maioria da população que continua nas ruas. Na terça-feira, milhares desfilaram em diversas cidades do país e 20 pessoas foram detidas.


Os manifestantes adotaram diversas palavras de ordem: "não vamos votar", "não preparem as mesas de voto" e "o povo está farto". As presidenciais já foram adiadas duas vezes mas agora, apesar da oposição dos manifestantes os eleitores são mesmo chamados às urnas. O Exército considera que o voto é a única forma de restabelecer a normalidade. Os manifestantes dizem que é cedo, primeiro é preciso afastar mais figuras do antigo poder e desmantelar as estruturas que suportam o regime. O movimento que levou à queda do antigo chefe de estado defende que estas eleições não são transparentes e plurais, e exige uma verdadeira democracia.

Das mais de 20 candidaturas que se apresentaram inicialmente o comité eleitoral só aceitou cinco.

Ali Benflix foi, no final dos anos 90, antigo primeiro ministro de Bouteflika. Passou para a oposição mas ainda está muito ligado ao sistema de governação do país.

Abdelmajd Tebboune foi também primeiro-ministro em 2015. A campanha de Tebboune foi marcada por várias deserções, o presidente do comité de apoio nacional retirou-lhe a confiança, um gesto que foi seguido por vários lideres regionais. Ao certo, não se sabe o que aconteceu, mas com o avançar do tempo a candidatura foi perdendo apoios.

Azzedine Mihoubi é apresentado como o favorito nestas eleições. Foi ele quem ficou com o apoio daqueles que deixaram Tebboune, é presidente de um pequeno partido ligado à FNL (Frente Nacional de Libertação) que gere o país desde a independência em 1962. Uma das exigências da oposição é o desmantelamento da FNL.

Abdelkader Bengrina é o candidato ligado ao movimento islamita. Foi ministro do turismo e artesanato entre 1997 e 1999.

Por fim Abdelaziz Belaid foi quadro da FNL de onde saiu em 2004 porque apoiou Ali Benflix nas presidenciais contra a recandidatura de Bouteflika. Fundou o próprio partido e, nestas eleições, conseguiu o apoio dos jovens ligados ao regime.

A campanha para estas presidências começou a 17 de novembro e foi marcada pelo aumento da segurança no pais por causa das tensões entre oposição e regime. Pela primeira nas presidenciais argelinas houve um debate entre todos os candidatos que assinaram um compromisso de ética garantindo que respeitam o processo eleitoral.

O país vive um momento excecional, no inicio da semana um tribunal argelino condenou dois antigos primeiros-ministros por corrupção. Ahmed Ouyahia e Abdelmalek Sellal foram condenados respetivamente a 15 e 12 anos de prisão, num julgamento considerado histórico e que envolveu outros políticos e empresários. A pena maior foi para Abdeslam Bouchouareb, antigo ministro da Indústria, que entretanto fugiu para o estrangeiro. Ele foi condenado à revelia a 20 anos de prisão.

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