Arranca nova ronda de negociações. Turquia espera que levem a encontro entre Putin e Zelensky

As delegações da Rússia e da Ucrânia iniciam as negociações após a receção que decorreu no Palácio Dolmabahçe, em Istambul.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, recebeu, esta manhã, as delegações ucraniana e russa, antes do início da nova ronda de negociações em Istambul. De acordo com o jornal The Guardian, Erdogan declarou que encara tanto o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, como o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "amigos valiosos" e disse esperar que os progressos nas conversações em Istambul abram caminho para um encontro entre os dois líderes, que a Turquia também está disposta a organizar.

"Está nas mãos de ambos os lados parara esta tragédia", afirmou o Presidente turco, citado pela BBC News, acrescentando que, "com a paz justa, não haverá um perdedor".

Para o Presidente turco, a Rússia e a Ucrânia "têm ambas preocupações legítimas", mas "é preciso pôr termo à tragédia".

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, iniciou, esta manhã, as negociações com os delegados da Ucrânia e da Rússia. A ronda negocial decorre no Palácio de Dolmabahçe, Istambul, última residência dos sultões no Bósforo e último centro administrativo do antigo Império Otomano e onde a Presidência turca dispõe de um gabinete oficial.

Inicialmente o encontro decorrerna presença do chefe da diplomacia da Turquia e mais tarde os contactos decorrem entre as duas delegações.

A Turquia já recebeu no passado dia 10 de março em Antalya, sul do país, a primeira ronda de negociações entre os chefes da diplomacia da Rússia e da Ucrânia, mas o encontro não conseguiu alcançar o cessar-fogo.

A Turquia, que faz fronteira com os dois países no Mar Negro, tentou desde o início da crise gerir as relações com as duas partes e procurou facilitar a mediação entre Kiev e Moscovo.

Por outro lado, a Turquia está envolvida, com a França e a Grécia, nas negociações sobre a retirada de civis da cidade de Mariupol, assediada pelas forças russas.

Na segunda-feira à noite, após uma reunião do governo turco, o presidente Erdogan argumentou que a Turquia é "o único país", desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, a ter promovido "esforços sinceros" com vista a uma solução para crise através do diálogo.

Esta ronda negocial decorre depois das primeiras notícias publicadas nos Estados Unidos sobre o eventual envenenamento do oligarca Roman Abramovich, com nacionalidade russa, israelita e portuguesa, que está a tentar mediar negociações entre Moscovo e Kiev para pôr fim à guerra na Ucrânia.

De acordo com notícias publicadas na segunda-feira pelo Wall Street Journal, após uma reunião na capital ucraniana no início de março, o bilionário, proprietário do clube de futebol inglês Chelsea, e pelo menos dois membros seniores da equipa de negociadores ucranianos "desenvolveram sintomas" suspeitos.

Os sintomas - olhos vermelhos e lacrimejantes, rosto e mãos esfoladas - deixaram de se fazer sentir mais tarde "e as vidas [das pessoas em causa] não estão em perigo", escreveu o jornal norte-americano.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse no passado domingo que vários empresários russos, incluindo Abramovich, se tinham oferecido para ajudar a Ucrânia.

O Wall Street Journal revelou, na semana passada, que o Presidente ucraniano tinha pedido ao chefe de Estado norte-americano, Joe Biden, para não sancionar Abramovich, argumentando que o magnata pode participar nas negociações de paz. O bilionário russo não está na lista dos "oligarcas" sancionados por Washington.

A Rússia lançou, a 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que causou, entre a população civil, pelo menos 1.035 mortos, incluindo 90 crianças, e 1.650 feridos, dos quais 118 são menores, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,70 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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