Árvore que pode ter 20 milhões de anos encontrada enterrada e intacta em Lesbos

Os geólogos ficaram boquiabertos com a descoberta, que pode revolucionar a forma como se pensa nos ecossistemas mais primitivos, cujas semelhanças com um futuro de aquecimento global podem ser muito acentuadas.

Começou com uma árvore, com raízes, galhos, folhas e 19,5 metros de comprimento, mas, semanas mais tarde, foram também encontradas 150 toras fossilizadas, dispostas umas em cima das outras. A descoberta deixou Nikolas Zouros, professor de geologia na Universidade de Aegean, incrédulo, mesmo depois de 25 anos de escavações na floresta petrificada de Lesbos.

Em declarações ao jornal The Guardian, o professor universitário garante que a "a árvore é única" e que descobri-la em "excelentes condições" foi inédito. "Além disso, detetar um tesouro destes, com tantos troncos petrificados de uma só vez, foi inacreditável."

A floresta petrificada de Lesbos, um dos maiores geoparques do mundo, estende-se por quase toda a península ocidental da ilha grega e foi classificado como monumento natural protegido pela Unesco. Os troncos ficaram fossilizados em cores vivas, dada a sequência de erupções vulcânicas e de explosões que soterrou grande parte da ilha de Lesbos em cinzas e lavas, há mais de 17 milhões de anos.

As pistas apontam para que as primeiras florestas fossem subtropicais, uma tipologia de ecossistema bastante distante da vegetação mediterrânica que Lesbos apresenta hoje.

Nikolas Zouros, diretor do Museu de História Natural de Sigri, dedicou décadas de estudos às várias florestas que existiam em Lesbos naquela época. Desde 2013, as escavações da sua equipa, ao longo de 20 km entre Sigri e Kalloni, levaram ao mapeamento de 15 sítios fósseis. No entanto, as revelações mais recentes suplantaram anos e anos de investigação.

Os investigadores consideram um golpe de sorte a descoberta de uma árvore inteira e de um leito de folhas, num momento em que os construtores se preparavam para cobrir de asfalto aquela parte de rodovia. Quando a atenção de um dos técnicos se prendeu num pequeno galho, a obra ficou suspensa e os esforços foram canalizados para a escavação de uma "revelação incrível". O artefacto natural integrará um museu ao ar livre por criar.

Geólogos de todo o mundo falam de um caso de "fossilização extraordinária", já que todas as partes da árvore foram preservadas e permaneceram intactas. Artur Abreu Sá diz mesmo que, em toda a história da paleontologia e em todo o mundo, a árvore é "única". Terá sido enterrada por sedimentos expelidos durante uma erupção vulcânica destrutiva e encontrada in situ.

O professor Iain Stewart, da Universidade de Plymouth, destaca que a emergência climática tornou necessária a compreensão de como serão os ecossistemas com novas condições de temperatura. "A floresta petrificada de Lesbos fornece uma janela inestimável para o passado", considerou também.

O investigador considera que as mais recentes descobertas constituem uma verdadeira "sala de aula ao ar livre", com importantes pistas sobre o que será o planeta no futuro, se a Humanidade não atuar e não corrigir o rumo das alterações climáticas: uma espécie de estufa ou um mundo de estufa, que existia na época.

Chronis Tzedakis, professor universitário de geologia em Londres, comentou que "as novas descobertas são impressionantes: a árvore com os seus galhos ainda presos é uma raridade, e os 150 troncos recuperados juntos fornecerão um retrato de uma comunidade florestal que nos permitirá avaliar a biodiversidade num determinado momento".

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