"As pessoas estavam a ser arrastadas." Brasileira recorda dia da catástrofe em Petrópolis

Gabriela está há dois dias no Rio de Janeiro, já que a rua onde mora foi das mais afetadas, mas recordou à TSF o dia em que tudo aconteceu.

Gabriela Aranha é brasileira e vive em Petrópolis há quatro anos, altura em que decidiu ir estudar para a cidade. Nunca esperou ver uma catástrofe como a que aconteceu na terça-feira. A casa onde vive não foi afetada, mas não esquece os momentos que viveu quando percebeu que esta era uma tempestade diferente do habitual.

"Graças a Deus não aconteceu nada com o meu prédio, mas há muitas barragens a cair próximo da minha rua. Independentemente de termos casa num ponto alto ou não ficamos sempre prejudicados", desabafou à TSF Gabriela Aranha.

Por precaução, Gabriela está há dois dias no Rio de Janeiro, já que a rua onde mora foi das mais afetadas. A brasileira percebeu que esta não era uma tempestade qualquer às 17h da tarde de terça-feira.

"Estava no trabalho, trabalho no Alto da Serra, um dos bairros mais afetados. Houve um momento em que começou a entrar água no prédio, mas percebi a gravidade quando comecei a ouvir pessoas a pedir socorro. Começou a entrar água nas lojas e as pessoas estavam a ser arrastadas", recordou a brasileira.

A mulher não se esquece do que fez a seguir.

"A primeira coisa em que pensei foi em ir ajudar e foi o que fiz. Tirei os sapatos, despi o casaco e fui para a rua ajudar as pessoas, mas realmente estava uma situação muito, muito complicada. Não conseguíamos andar nem sabíamos onde pisar porque tínhamos medo de nos aleijarmos", contou.

Gabriela é natural de Teresópolis, uma região que também faz parte da zona serrana do Rio de Janeiro. Em 2011 também foi afetada por fortes chuvas, deixando um rasto de destruição e provocando a morte a 918 pessoas. Teve medo de que pudesse acontecer de novo.

"Não estava a acreditar no que estava a acontecer. A minha família, por exemplo, vive em Teresópolis que em 2011 teve uma forte tragédia por causa das chuvas. A região serrana do Rio foi muito prejudicada, então ficamos sempre com medo quando chove muito", afirmou Gabriela Aranha.

Agora à distância, a brasileira reconhece os testemunhos de quem ainda está em Petrópolis.

"Tenho falado com as pessoas do meu trabalho e com os meus amigos por videochamada. Divido apartamento com uma amiga que me disse ontem que as chuvas foram novamente bem fortes e que a cidade está em estado de alerta. Ela não tem como sair de casa e o único mercado próximo já não tinha mais água nem comida, foi um dos motivos por eu ter saído de lá", acrescentou a brasileira.

Gabriela Aranha aponta ainda falta de planeamento, motivo pelo qual a tempestade fez tantos estragos.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou esta sexta-feira que as chuvas que atingiram a cidade de Petrópolis na região de Serra, do Rio de Janeiro, provocaram uma "catástrofe muito grande". Depois de sobrevoar de helicóptero as áreas afetadas pelas fortes chuvas que caem sobre a região desde terça-feira, Bolsonaro lamentou o que aconteceu e pediu a Deus para confortar todos os familiares das vítimas.

Segundo as autoridades, o temporal provocou até agora 120 mortos. Há mais de uma centena de desaparecidos e cerca de 850 pessoas desalojadas, mas pelo menos 24 pessoas foram resgatadas com vida.

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