Ataque a refinarias sauditas: mercados sentem choque, "risco geopolítico" é "sério"

Esta segunda-feira as principais bolsas europeias reagiram em baixa ao preço do petróleo, que, no caso do Brent, de referência na Europa, disparou mais de 10% depois do ataque, mas o professor António Costa e Silva receia, sobretudo, tensões no Médio Oriente.

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) garante que a Arábia Saudita tem stocks de petróleo suficientes para evitar uma crise, e diz que não há motivos para os mercados entrarem em pânico.

Mohammad Barkindo, secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, não considera que se justifique uma reunião de emergência da OPEP por causa do ataque que as refinarias da Arábia Saudita sofreram este sábado. No entanto, garante que a organização está a acompanhar esta crise com toda a atenção.

Em entrevista à Bloomberg, o secretário-geral da OPEP afirmou que neste momento a organização está centrada na OPEP+, que reúne o cartel e outros grandes produtores como a Rússia, para garantir a estabilidade e segurança da oferta. Para Mohammad Barkindo, a subida nos preços do petróleo foi apenas uma reação inicial dos mercados, o que não considera ser uma crise.

Após o ataque a duas refinarias, a Arábia Saudita cortou para menos de metade a produção diária de 5,7 milhões de barris. Trata-se do equivalente a 6% do abastecimento mundial.

Apesar desta análise da OPEP, a redução para metade da produção diária da Arábia Saudita, depois de um ataque com dez drones a instalações petrolíferas, é, para António Costa e Silva, uma situação grave que vai afetar todo o mercado mundial.

Esta segunda-feira as principais bolsas europeias reagiram em baixa ao preço do petróleo, que, no caso do Brent, de referência na Europa, disparou mais de 10% depois do ataque. O professor António Costa e Silva afirma que Portugal não será dos países mais afetados por esta crise, já que importa petróleo de diferentes plataformas."Portugal importa hoje petróleo de diferentes áreas do mundo, não só de países africanos, como do Médio Oriente, do Azerbaijão e outros países. É possível que Portugal não saia muito afetado. Esperamos que o mercado se restabeleça nas próximas semanas."

"O preço do petróleo vai aumentar ainda mais que os 20%, mas a maior preocupação deve ser com o Médio Oriente, sobretudo com a administração tão belicosa de Trump, que instiga em diversas áreas", aponta o professor do Instituto Superior Técnico, especialista em energia e petróleo.

António Costa e Silva assegura que o preço do petróleo vai subir e que serão necessárias semanas para que a produção de petróleo atinja os valores considerados normais.

"Penso que a situação é séria, porque foram atingidas duas das maiores refinarias do mundo. As autoridades já anunciaram que vão demorar, não dias, mas semanas a restabelecer a produção, porque de uma dessas refinarias saem cinco milhões de barris de petróleo por dia, o que é quase 10% da produção e oferta mundial."

De acordo com o professor universitário, "há consequências em todo o funcionamento dos mercados, e, sobretudo, no risco geopolítico". "Até agora, era muito baixo, e agora está a subir consideravelmente", frisa."O Médio Oriente, hoje em dia, com todos os conflitos, sobretudo com a intervenção do exército saudita... Esperemos que a situação se possa resolver nos próximos dias, por que isto afeta todo o mercado mundial", comenta ainda.

O Presidente dos Estados Unidos afirmou que os norte-americanos estão prontos para responder ao ataque às refinarias sauditas e autorizou o recurso às reservas de petróleo para estabilizar os mercados. O professor António Costa e Silva, do Instituto Superior Técnico, diz que esta é uma situação muito delicada a nível internacional, já que interferirá com vários países de grande dimensão.

"O Irão já ameaçou várias vezes fechar o estreito de Ormuz, onde circulam 20 milhões de barris de petróleo por dia, e, por isso, tem um impacto brutal", remata.

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