Autópsia feita pelas autoridades iranianas atribui morte de Mahsa Amini a doença cerebral

O pai garante que a iraniana estava de "perfeita saúde".

As autoridades iranianas afirmaram esta sexta-feira que a morte de Mahsa Amini não foi provocada por "golpes", mas por sequelas de uma doença, três semanas após o início das manifestações motivadas pela morte da jovem durante a sua detenção.

Detida em 13 de setembro pela polícia da moralidade em Teerão por ter infringido o estrito código sobre o uso de vestuário feminino previsto nas leis da República islâmica, em particular o uso do véu, esta curda iraniana morreu três dias mais tarde no hospital.

Diversos militantes da oposição afirmaram que foi ferida na cabeça durante a sua detenção. As autoridades iranianas desmentiram qualquer contacto físico entre a polícia e a jovem mulher e referiram que aguardavam o resultado do inquérito.

A sua morte originou protestos no país, com as mulheres iranianas na vanguarda, e ainda ações de solidariedade em várias regiões do mundo.

As manifestações, as mais importantes no Irão desde as ocorridas em 2019 contra o aumento do preço dos combustíveis, foram duramente reprimidas.

Pelo menos 154 pessoas morreram na sequência da repressão exercida pelas forças de segurança iranianas contra os protestos, segundo denunciou a organização não-governamental (ONG) Human Rights Iran (HRI), enquanto um balanço oficial se refere a cerca de 60 mortos, incluindo 12 membros das forças de segurança.

"A morte de Mahsa Amini não foi provocada por golpes infligidos na cabeça ou em órgãos vitais", mas está relacionada com "uma intervenção cirúrgica de um tumor cerebral quanto tinha oito anos de idade", indicou um relatório da organização médico-legal iraniana, enquanto o seu pai, Amjad Amini, indicou que a sua filha estava de "perfeita saúde".

"Em 13 de setembro [Mahsa Amini] perdeu subitamente a consciência e desmaiou (...) Sofreu uma perturbação do ritmo cardíaco e uma quebra de tensão", acrescentou o relatório divulgado pela televisão estatal.

"Apesar da transferência para o hospital e os esforços do pessoal médico, morreu em 16 de setembro na sequência de uma falha de múltiplos órgãos motivada por uma hipóxia cerebral", segundo a mesma fonte.

A repressão das manifestações foi denunciada por vários países e instâncias internacionais e implicaram a imposição de sanções, em particular pelos Estados Unidos.

O regime iraniano efetuou centenas de detenções e impôs severas restrições no acesso às redes sociais. Teerão também acusou forças externas de inflamarem os protestos, em particular os Estados Unidos e Israel.

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