Bastam 50 cêntimos por dia. Fome zero em 2030 ainda é possível

É nisso que acredita o coordenador de emergências do Programa Alimentar Mundial. Pedro Matos falou com a TSF a partir do Sudão, onde "um Portugal inteiro" pouco ou nada tem para comer.

O português que coordena as emergências do PAM, a agência das Nações Unidas que se ocupa da fome no mundo, ainda acredita que vai ser possível acabar com a fome em menos de uma década. A meta está definida no Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável - Fome Zero até 2030.

Um relatório de várias agências da ONU, entre elas o Programa Alimentar Mundial, revelado esta segunda-feira, deu conta de que 10% da população mundial (cerca de 811 milhões de pessoas), não teve o que comer durante o ano pandémico de 2020. África é o continente mais atingido, com 21% da população sem ter o que comer.

Pedro Matos está, por esta altura, no Sudão, um país com 10 milhões de pessoas a passar fome. É um "Portugal inteiro" no último patamar de uma "escala" que mede a chamada "insegurança alimentar", situação que oscila entre aqueles que já não têm o suficiente para fazer refeições regulares e os que, se não forem ajudados, morrem num curto espaço de tempo. Uma situação em que a pandemia, conflitos de vária ordem e as alterações climáticas têm um peso decisivo.

Em Madagáscar, a terra já pouco ou nada põe no prato. Pedro Matos ainda não esteve no país, mas os relatos que lhe chegam, são dramáticos. "Pessoas a comerem madeira e ervas e folhas (...) não é a nada nutritivo e faz pessimamente, mas não lhe sobra muita coisa para comer".

O coordenador de emergência do PAM sublinha que a dimensão do problema é gigante. No entanto, a solução pode ser muito fácil, assim haja vontade. Para alimentar 10 milhões de pessoas, "precisamos de 15 euros por mês. A dividir por 30 dias, é meio euro por dia. É o que nós precisamos para alimentar uma pessoa com 3 refeições" diárias.

Pedro Matos alerta ainda que a pandemia interrompeu um caminho que ia na direção certa. "O número de pessoas em fome extrema no mundo estava nos 130 milhões e nós, no PAM, estávamos a alimentar 100 milhões. Portanto, estávamos, aos poucos, a chegar às pessoas em situação mais dramática".

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