Baudelaire: o bicentenário de um poeta maldito no passado, eterno a presente

Poeta "maldito" por excelência, Charles Baudelaire, nasceu a 9 de abril de 1821. Para assinalar o bicentenário de um dos maiores poetas franceses, Paris homenageia uma obra que sofreu censura, escandalizou o seu tempo e rompeu com a poesia tradicional, abrindo caminhos à poesia moderna.

Celebra-se esta sexta-feira, 9 de abril, o bicentenário do nascimento do poeta francês Charles Baudelaire. Nasceu em Paris em 1821, endividou-se nos anos quarenta e começou por esse motivo a escrever "As Flores do Mal". O livro, publicado em 1857, foi julgado por conteúdos obscenos e seis poemas foram na altura apagados da obra.

Charles Baudelaire é considerado um dos maiores poetas franceses de todos os tempos, e está sepultado no cemitério de Montparnasse, em Paris. "É uma sepultura muito visitada, claro, mas como é muito visitada a de Simone de Beauvoir. Muitas celebridades estão sepultadas aqui", lembra a conservadora do cemitério de Montparnasse.

"Charles Baudelaire tem duas moradas póstumas. Uma delas é falsa e o túmulo está vazio. É essa que recebe mais visitantes", conta Véronique Gautier, lembrando que, "na realidade, o corpo do poeta se encontra na sexta divisão do cemitério. É uma verdadeira caça ao tesouro encontrar a modesta sepultura do General Aupick, onde descansa Charles Baudelaire", acrescenta.

Frente à sepultura de Baudelaire, muitos visitantes deixam poemas. "Baudelaire faz-me pensar nos meus estudos.. Estudei Filosofia em Itália e tinha uma cadeira de Estética consagrada ao livro "As Flores do Mal" e adorei o autor, li tudo, mas foi há muito tempo. Fico muito nostálgica porque Baudelaire é o charme de um outro tempo que procuro sempre mas que parece ter desaparecido", conta Iole, italiana radicada em Paris.

Também Georges, parisiense, confirma a nostalgia de uma cidade de um outro tempo: "Hoje estamos submersos na imensidão das possibilidades de ler pessoas inteligentes. Pessoalmente, hoje interessa-me mais ler autores que pensam o tempo."

A obra de Baudelaire é transversal às décadas que passam. "A poesia de Baudelaire é muito forte e está reunida num volume único em "Les Fleurs du Mal", as Flores do Mal. Muitas vezes na rádio, ouvimos pessoas que o citam. Baudelaire está muito presente na cultura francesa, nomeadamente na canção", descreve o editor francês Michel Chandeigne.

Entre as dezenas de adaptações dos poemas de Charles Baudelaire encontramos a composição de Serge Gainsbourg, que transpôs para a música o poema "A Serpente que Dança". Ficam assim gravadas no tempo as palavras de um poeta maldito no passado, eterno a presente.

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