BCE quer "normalizar política monetária" e admite impacto por proximidade a Kiev

Christine Lagarde lembrou o fim de programa de compras de ativos e o aumento previsto de 25 pontos das taxas de juro diretoras em julho.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu esta segunda-feira uma "normalização da política monetária" na zona euro, com o aumento previsto das taxas de juro em julho, admitindo ainda impactos pela proximidade à Ucrânia, devido à guerra.

Numa audição na comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu sobre as consequências da guerra na Ucrânia e inflação recorde na zona euro, em Bruxelas, Christine Lagarde lembrou o fim de programa de compras de ativos e o aumento previsto de 25 pontos das taxas de juro diretoras em julho, falando numa situação de "normalização da política monetária na zona euro".

"Trata-se de uma mudança muito significativa em relação ao que temos visto nos últimos 11 anos e certamente o caminho para a saída de taxas de juro negativas de uma forma ordeira e razoavelmente curta, de acordo tanto com a nossa orientação futura como com a nossa sequenciação", salientou a responsável.

Vincando que esta mudança "será gradual e proporcional", Christine Lagarde rejeitou "comparações odiosas" com outros bancos centrais, como o da Suíça ou com o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), argumentando que "as circunstâncias são diferentes, a história de política monetária é diferente e a força da moeda é diferente".

"E penso que temos de olhar para o que temos de fazer em relação ao nosso mandato em relação à nossa zona económica, que é a zona euro", vincou.

Questionada na ocasião sobre a diferente atuação do BCE e da Fed, Christine Lagarde salientou que "a geografia é importante", sendo esse um dos fatores a ter em conta.

"A proximidade da Ucrânia da zona euro é um fator criticamente importante", justificou a responsável, reconhecendo que "a política monetária adotada pela Fed é diferente da adotada pela zona euro e [que] não há dúvida de que existem efeitos colaterais" das decisões do sistema de bancos centrais dos Estados Unidos.

Em meados de junho, o BCE manteve as taxas de juro, mas anunciou que irá subir a taxa diretora em 25 pontos base na reunião de julho, mês no qual termina a partir de dia 01 a compra de ativos.

Num comunicado divulgado após uma reunião de política monetária, a instituição presidida por Christine Lagarde anunciou que decidiu manter a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito em 0,00%, 0,25% e -0,50%, respetivamente.

Ainda assim, informou que "o Conselho do BCE pretende aumentar as taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base na sua reunião de política monetária de julho", sinalizando ainda esperar voltar a aumentar as taxas de juro diretoras em setembro.

"A calibração desse aumento da taxa dependerá da atualização das perspetivas de inflação de médio prazo. Se a perspetiva de inflação no médio prazo persistir ou se deteriorar, um incremento maior será apropriado na reunião de setembro", adiantou o BCE.

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