Berlim defende novas posições da UE sobre importação de gás russo

A ministra da Defesa alemã sublinha que as imagens de Bucha "são terríveis" e "naturalmente é preciso responder de forma consequente".

A ministra da Defesa da Alemanha, Christine Lambrecht, defende que a União Europeia deve considerar a proibição sobre a importação de gás russo, após o massacre de civis descoberto após a retirada das tropas da cidade ucraniana de Bucha.

"Deve haver uma reação. Crimes assim não devem ficar sem resposta e [o presidente russo, Vladimir] Putin deve ter a noção [da reação]", disse a ministra, numa entrevista à televisão pública alemã ARD.

Lambrecht acrescentou que é urgente discutir entre o bloco europeu as respostas adicionais que podem vir a ser tomadas, sublinhando que "a distribuição de gás" deve servir de base às conversações no âmbito da União Europeia.

"Este foi até ao momento o nosso ponto forte, nenhum país avançou isoladamente, sendo que nos pusemos de acordo acerca do que é 'sustentável'. É assim o que deve acontecer nas próximas horas", disse.

As imagens de Bucha "são terríveis" e "naturalmente é preciso responder de forma consequente", insistiu a ministra da Defesa alemã.

Por outro lado, Lambrecht afirmou que a Alemanha vai continuar a analisar todos os pedidos que cheguem da Ucrânia em matéria de armamento e de equipamento militar e de que forma "pode ser possível" cumprir o pedido e as condições que devem ser criadas para o efetivar.

Sobre os possíveis acordos de paz entre a Rússia e a Ucrânia, Lambrecht mostrou-se cética em relação ao regime de Moscovo.

"Vimos como disseram mentiras, como nos enganaram, como não se cumpriram promessas e compromissos e, por isso, tenho muitas dúvidas. Sou cética", disse.

Entretanto, a Rússia convocou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o que chamou de "provocações odiosas" da Ucrânia, que denunciou o assassínio de civis por tropas russas em Bucha.

"À luz das provocações odiosas dos radicais ucranianos em Bucha, a Rússia solicitou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira, 04 de abril", escreveu na rede social Twitter o vice-embaixador da Rússia na ONU, Dimitri Poliansky.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou no domingo os líderes russos de ordenar "tortura e assassínios" em Bucha, na região de Kiev, onde foram encontradas valas comuns e centenas de corpos de civis.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.325 civis, incluindo 120 crianças, e feriu 2.017, entre os quais 168 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 4,1 milhões de refugiados em países vizinhos e cerca de 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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