Biden acusa Rússia de impedir fim justo de uma guerra "criada por um só homem"

O líder norte-americano falou esta quarta-feira na 77.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas e acusou os russos de quererem "apagar um Estado soberano do mapa".

O Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, subiu esta quarta-feira ao púlpito da Assembleia-Geral das Nações Unidas para acusar a Rússia de "extinguir o direito da Ucrânia existir como estado" e de estar a impedir o fim da guerra em "termos justos".

Abordando "uma guerra inútil e desnecessária criada por um só homem", o líder norte-americano diz que "a Rússia violou a Carta das Nações Unidas", visto que existe "uma proibição clara de que os países assumam o território do vizinho pela força".

"Putin diz que agiu porque havia uma ameaça à Rússia, mas ninguém ameaçou a Rússia. (...) As próprias palavras de Putin não deixam dúvidas e passo a citar: 'A Ucrânia foi criada pela Rússia e que nunca teve um verdadeiro estatuto de estado.'", recorda Joe Biden.

O Presidente dos EUA lembra "as provas graves das atrocidades", nomeadamente das valas comuns e dos "corpos encontrados com sinais de tortura"para afirmar que "esta guerra tem como objetivo extinguir o direito da Ucrânia existir como estado", procurando "apagar uma nação" do mapa.

"Os EUA querem que esta guerra acabe em termos justos. O único país que o está a impedir é a Rússia", atira.

E complementa: "Se as nações levarem a cabo as suas ações sem consequências, estamos a arriscar tudo o que esta instituição representa."

Joe Biden refere que atualmente existem "ameaças à base da Carta das Nações Unidas" e afirma que esta "não foi apenas assinada pelas nações", mas "negociada por dezenas de países, com diferentes histórias e culturas".

Nesse sentido e com o objetivo de aumentar a credibilidade e a confiança na instituição, Biden refere que "os EUA apoiam o aumento do número de estados permanentes e não permanentes do Conselho de Segurança da ONU".

O discurso do Presidente norte-americano voltou-se para outras crises mundiais, como as alterações climáticas ou a insuficiência alimentar, mas nunca esqueceu a Rússia nesses temas.

Biden revela que os Estados Unidos querem"ajudar outros países a atingir os seus objetivos climáticos" e, por isso, "369 mil milhões de dólares estão direcionados para combater as alterações climáticas".

Quanto à crise alimentar e enquanto anuncia "mais 2,9 mil milhões de dólares", acusa a Rússia de "transmitir mentiras" ao culpar as sanções. "As nossas sanções permitem à Rússia que exporte alimentos e fertilizantes. Foi a guerra que aumentou esta crise alimentar e só a Rússia pode terminar isto", reitera Joe Biden.

O chefe de Estado norte-americano também aponta o dedo à Rússia, afirmando que "nenhum país pode utilizar a energia como arma".

Há outros conflitos mundiais a preocupar o Presidente dos EUA, concretamente na Etiópia e no Iémen, nunca esquecendo o conflito israelo-palestiniano e a "concorrência" entre os norte-americanos e a China.

"Há alterações nas tendências geopolíticas e vamos agir como um líder razoável. Não procuramos nenhum conflito ou guerra fria. Não vamos exigir aos estados que escolham os EUA ou outro país como parceiro. Mas os EUA vão continuar a promover para um mundo livre e próspero", alerta.

Sobre o conflito do Médio Oriente, Joe Biden é mais claro: "Vamos continuar a defender as negociações de paz entre Israel e o povo palestiniano. Estamos comprometidos com a segurança de Israel. Uma negociação com uma solução de dois estados continua a ser a nossa crença, para dar aos palestinianos um estado a que têm direito. Os dois estados devem respeitar os direitos equitativos dos seus cidadãos."

E, mais uma vez, volta a criticar a Rússia, acusando-a de "fazer ameaças irresponsáveis de ataques nucleares".

"Não vamos permitir uma corrida ao armamento nuclear. Não podemos deixar que o mundo faça marcha atrás", conclui o líder dos Estados Unidos da América.

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