Biden assinala massacre de Tulsa e promete reduzir divisão racial nos EUA

Joe Biden tornou-se o primeiro Presidente a assinalar presencialmente uma das páginas mais negras da história dos Estados Unidos, na presença de três sobreviventes do massacre de 1921.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deslocou-se terça-feira a Tulsa para assinalar o centenário do massacre da população negra desta cidade do estado de Oklahoma, onde prometeu reduzir a divisão racial no país.

O massacre de 1921, no qual um próspero bairro povoado por afro-americanos foi arrasado por homens brancos, "ficou esquecido por muito tempo na nossa história. Assim que aconteceu, houve um claro esforço para apagá-lo da memória", salientou o Presidente norte-americano.

"Só porque a história é silenciosa, isso não significa que ela não aconteceu", disse Joe Biden citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP), ao adiantar que a sua visita a Tulsa pretendeu "ajudar a preencher o silêncio" sobre o massacre em que morreram, de acordo com historiadores, 300 afro-americanos.

Joe Biden tornou-se, assim, o primeiro Presidente a assinalar presencialmente uma das páginas mais negras da história dos Estados Unidos, na presença de três sobreviventes do massacre de 1921.

Na segunda-feira, Joe Biden emitiu uma proclamação presidencial na qual pede aos norte-americanos para "refletirem sobre as raízes profundas do terror racial" e comprometerem-se com "a eliminação do racismo sistémico".

A comunidade negra mais rica nos Estados Unidos, na cidade de Tulsa, na zona Greenwood ou, como era conhecida, Black Wall Street, foi massacrada entre 31 de maio e 1 de junho de 1921, por uma multidão de pessoas brancas.

Tudo começou quando dois grupos de homens, um de brancos e outro de negros, se confrontaram no escritório do xerife, em 31 de maio de 1921. No centro da polémica, um jovem negro detido, de nome Dick Rowland, por alegações de assédio sexual a uma mulher branca dentro de um elevador.

O grupo de homens brancos vinha com potenciais planos de sequestrar e linchar Dick Rowland.

O caos instalou-se depois de vários tiros e no período de 24 horas uma multidão branca, "inflamada por rumores de uma insurreição negra, invadiu e queimou o distrito de Greenwood", destruindo todos os 35 quarteirões.

Segundo a Cruz Vermelha, 1256 casas foram incendiadas, 215 foram saqueadas e deixaram sem abrigo milhares de afro-americanos, como destruíram inúmeros espaços de congregação e comércio da comunidade.

A Comissão de investigação do massacre, Race Riot Commission, com um relatório publicado apenas em 2001, 80 anos depois do motim, concluiu que oito mil pessoas ficaram sem abrigo na altura e entre 100 a 300 pessoas morreram.

As acusações contra Dick Rowland foram retiradas horas após o massacre. A polícia concluiu que Rowland "provavelmente tropeçou ou pisou o pé da mulher branca dentro do elevador".

Na segunda-feira, o prefeito de Tulsa, George Bynum, apresentou um pedido formal de desculpas pela "incapacidade do município de proteger comunidade em 1921".

Em 19 de abril, alguns dos últimos sobreviventes do acontecimento viajaram até Washington para testemunhar perante o Congresso e exigir que o país reconheça seu sofrimento.

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